
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
2010 em revista - Golfe

terça-feira, 7 de dezembro de 2010
2010 em revista - Tênis

Vazando a atmosfera nostálgica que cerca muitos adeptos - esses preferem exaltar a época de Sampras, Agassi, Muster, Becker, Edberg, ou a anterior, com McEnroe, Borg, Lendl e outros - pode-se chegar à conclusão de que os atuais líderes do ranking mundial são os melhores tenistas da história. 2010 confirmou essa condição.
Avassalador
Ele é uma máquina. Raramente falha. Se passa por um período sem lesões, torna-se quase imbatível. Apesar de não ter o reconhecimento pleno do público e dos especialistas, Nadal é um gênio das raquetes.
O único a vencer três Grand Slams seguidos havia sido o australiano Rod Laver, em 1969, quando o tênis ainda se acostumava ao profissionalismo. As taças em Roland Garros, Wimbledon e Nova Iorque, aliás, fizeram do espanhol o único a ganhar slams em três pisos diferentes na mesma temporada.
Não mexam com a fera
Se Federer tivesse chegado às finais desses torneios, quem sabe, as estatísticas poderiam ser outras. A verdade é que o suíço perdeu o véu da perfeição. Derrotas inesperadas para, respectivamente, Soderling, Berdych e Djokovic, chegaram até mesmo a ofuscar a conquista do Aberto da Austrália.
Mas se engana quem pensa que Federer iniciou a parábola descendente da carreira. Prova disso foi o desempenho intocável que teve na Masters Cup de Londres, não tomando conhecimento dos principais rivais. Ele estará forte, mais uma vez, em 2011.
Trio parada-dura
Eles não ganharam Grand Slams, mas, de vez em quando, incomodaram Nadal e Federer. Novak Djokovic, Andy Murray e Robin Soderling se consolidaram como atletas de ponta, que estão prontos para aproveitar qualquer brecha deixada pelos campeoníssimos.
O sérvio liderou o país na campanha do inédito título da Copa Davis. Já o inglês viveu dois momentos de maior destaque: as conquistas dos Masters 1000 de Toronto e Xangai. Por fim, o sueco cravou o Masters 1000 de Paris, primeiro da carreira.
Liderança improvável
Caroline Wozniacki terminou a temporada na primeira posição do ranking feminino. Mas o que chama a atenção nessa dinamarquesa, além dos traços gentis, é o fato de ter obtido essa condição sem chegar a uma única final de Grand Slam.
Caso diverso de Vera Zvonareva. A russa foi vice em Wimbledon e no US Open, assumindo o segundo lugar da lista da WTA. A belga Kim Clijsters, apesar dos altos e baixos, faturou o US Open e saltou para o terceiro lugar.
Zebras? Sempre.
Mesmo com o domínio dos Top-10, houve ocasiões em que intrusos surpreenderam. A mais marcante delas foi a vitória de Ivan Ljubicic em Indian Wells, passando por Nadal na semifinal e Roddick na decisão.
No feminino, uma italiana meio desengonçada arrasou o saibro de Roland Garros. Francesca Schiavone, prestes a completar 30 anos, garantiu o primeiro Slam da carreira. Modesta, diga-se de passagem, já que aquele foi somente o quarto título em 12 anos de profissionalismo.
Baby, comeback
Rei do saibro no início dos anos 90, Thomas Muster estarreceu o mundo do tênis ao anunciar o retorno ao circuito. Aos 43 anos, Muster voltou no Challenger de Braunschweig, mas não teve bom desempenho: uma vitória em nove jogos.
Na WTA, Justine Henin cansou da aposentadoria e voltou a empunhar a raquete. Dois títulos, em Stuttgart e Hertogenbosch, e uma final de Grand Slam, na Austrália, foram os principais momentos de 2010 para a belga.
E o Brasil?
Os pontos altos da temporada do tênis brasileiro foram, por ordem cronológica, o título de Tiago Fernandes no Australian Open Juvenil - tornando-se o primeiro brasileiro a ocupar a liderança do ranking de garotos - e a taça de Thomaz Bellucci no ATP 250 de Santiago.
Mas Bellucci, no decorrer do ano, perdeu o pique. Os resultados minguaram, assim como as boas exibições. Como no futebol, sobrou pro técnico: João Zwetsch foi dispensado, e Larri Passos passará a cuidar dos treinos do número 31 da ATP.
Os outros brazucas também não brilharam. Ricardo Mello, Marcos Daniel, João Souza e Júlio Silva tentaram a sorte em challengers, mas nada que chegasse a entusiasmar.
O mico do ano veio na repescagem do Grupo Mundial da Copa Davis. Tudo bem, a disputa contra a Índia aconteceu na quadra dura asiática, mas as derrotas de Mello e Bellucci para Bopanna e Devarmann no dia 3 do confronto foram facadas no coração da torcida brasileira. Estava perdida a melhor chance dos últimos anos para retornar à elite.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
2010 em revista - Fórmula 1

Já que "antes tarde do que nunca" é uma expressão que aparece no Dicionário Furlan de Baboseiras, também não se deve estranhar o retorno do escriba. Para, de modo a aproveitar a oportunidade, rever o que de mais importante aconteceu na temporada esportiva de 2010.
Como há competições que ainda não se concluíram, natural que se comece pelos certames já sacramentados.
A primeira grande análise, portanto, será do Mundial de Fórmula 1, pois atende a três critérios importantes: 1) Já terminou; 2) Aprecio bastante e; 3) Tive a oportunidade de acompanhar de cabo a rabo.
Sem delongas, vamos aos aspectos mais importantes da categoria.
Começando pelo melhor deles: Rubens Barrichello. Foi o maior responsável pela evolução do carro da Williams no decorrer do ano. Hulkenberg chegou cheio de pompa, depois de ter sido campeão da GP2, mas foi deixado em segundo plano (tirando o GP do Brasil). Palmas para Barrica.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Todos (e mais alguns) os Corações do Mundo

Acompanho Mundiais de Futebol desde 1994, quando tinha sete anos - aos três, em 1990, não deveria nem saber o que é uma bola. E naquele período ficaram algumas das melhores lembranças que tenho.
A rua ficava tomada de gente, com desenhos riscados asfalto afora. Os carros, oras, eles que desviássem! E, de fato, todos respeitavam o momento dos rabiscos e da pintura.
Temáticas variadas, claro. Mas Striker, o mascote daquela Copa, era figura cativa. Outra era a imagem do capacete de Ayrton Senna, o mito recém-falecido, cuja lembrança ainda era muito forte.
Estudava no período matutino, então não faltava tempo para acompanhar a galera com as mãos na massa. Meus pais me impediam de fazer o mesmo, mas só olhar não tinha problema.
Assim, íamos o caderno especial da Copa do Diário Popular e eu rumo à calçada, onde eu leria e apreciaria o trabalho. E a mobilização só parava à noite, quase madrugada. Ninguém, afinal, se cansava.
Das partidas, lembro perfeitamente de querer acompanhar Suécia x Camarões. Jogaço, pelo menos pra mim, pelo menos naquela época. Mas tinha que acordar cedo no dia seguinte, então só pude ver os primeiros minutos. Com a chegada das férias, ahá, isso mudaria.
Com a Seleção Brasileira, aí era diferente. Todos da família reunidos em casa, para torcer nos 2 a 0, 3 a 0 e 1 a 1 da primeira fase. Apesar do susto que Kenneth Andersson havia nos proporcionado, nada a se temer até ali.
Começando a fase eliminatória, outras memórias. A raiva de ver a Nigéria perder no finalzinho pra Itália, tudo culpa daquele tal... como se chamava? Robertino Baggio? Roberto? Aquele rabo-de-cavalo lá!
Se deu mal, Argentina! Perdeu logo de cara pra Romênia, bem feito! E o Preud'Homme, que pena, não fez o gol que levaria a Bélgica à prorrogação contra a Alemanha. Que jogo suado o do Brasil, golzinho chorado no fim! E o cômico lance do México x Bulgária, onde a trave teve de ser trocada?
Quartas? Nana-neném de Bebeto, chutaço do Branco e Brasil adiante. Sacanagem, o juizão não viu a cotovelada do cara da Itália no da Espanha! Chupa, Alemanha, Letchkov, o carequinha, marcou de cabeça e tirou vocês. Pena, a bacana Romênia caiu diante da Suécia nos penais.
No dia da semifinal entre Brasil e Suécia, chegou uma TV de 20 polegadas da CCE, comprada especialmente para a ocasião, e que quebraria umas seis vezes antes de ser jogada no lixo. Deu sorte, pelo menos pro Baixinho. E lá íamos nós jogar contra a Itália, que não deu muita trela pra Bulgária.
A final foi um caso especial. A CCE deixou a sala e foi para a garagem de casa, carros na rua, vizinhos assistindo o jogo reunidos. Desnecessário descrever a festa pós-isolamento de pênalti.
Como dá pra perceber, esse torneio ficou marcado em minha mente. Com muita alegria, assisti anos depois ao filme Todos os Corações do Mundo, de Murilo Salles, um documentário da Copa que tanto me influenciou.
Dele, tirei a inspiração para esse título. E da minha paixão por Copas do Mundo, tirei a ideia de fazer um especial aqui, diário, sobre a Copa. Começando pelas equipes, mas não ficará só por aí não.
Amanhã, o Grupo A e seus participantes. Na próxima segunda-feira, o B, e assim por diante.
Espero que todos entrem na mesma vibe, porque, acreditem, Copas do Mundo são muito bacanas pra passar despercebidas.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Pontos corridos na Europa: a contradição

Antes de qualquer coisa, é bom registrar minha opinião em relação ao sistema favorito de disputa de campeonatos. Sou fã do mata-mata, acho que é viável em campeonatos nacionais e coloca os times em situações de pressão em que, ao superá-las, aí sim, poderão ser considerados os melhores do país.
Para explicar minha tese, é simples. Cite um campeão brasileiro, desde 2003, que fez sucesso e chegou pelo menos à final da Libertadores do ano seguinte. Quem se propõe? Ninguém, porque não há um time que se encaixe nesse perfil. Ao contrário do Santos em 2002/2003, São Caetano, em 2001(vice)/2002, Vasco, em 1997/1998, e assim sucessivamente, só para citar os casos mais recentes.
É óbvio, minha gente. Um time que ganha mais jogos no campeonato de pontos corridos disputou todas as partidas sem, teoricamente, sofrer a pressão de ser eliminado no caso de uma derrota, ter que marcar mais um gol pra garantir vaga, etc.
Em outras palavras, não foi testado em 100%. O que, por outro lado, acontece quando essa equipe é campeã depois de passar por uma fase de classificação (soma de pontos) e por uma fase eliminatória (confrontos mata-mata), como aconteceu até o Brasileirão-2002. Quem não é provado nessa segunda etapa, na maior parte das vezes, não está pronto para encarar um confronto eliminatório.
Confrontos eliminatórios que, como disse anteriormente, são característicos das três competições de clubes mais importantes: Copa Libertadores da América, Liga dos Campeões da Europa e Mundial de Clubes da Fifa, em ordem crescente de importãncia.
Feito este necessário preâmbulo, é preciso também deixar claro que o Brasil copiou a fórmula dos pontos corridos das competições nacionais europeias. E não é porque a maioria segue o mesmo padrão que sou obrigado a concordar com ele, ou achá-lo o mais adequado.
E é justamente o sistema de pontos corridos que, ao menos em dois países, pode gerar injustiças na classificação final dos campeonatos nacionais da Espanha e da Itália.
Nos dois casos, há um critério de desempate usado no caso de duas equipes terminarem a temporada empatadas em número de pontos: o confronto direto. Ou seja, se X e Y marcaram 70 pontos, mas X venceu os dois confrontos diretos no decorrer do campeonato, então Y será o vice-campeão.
Na "Liga", O Barcelona está um ponto à frente do Real Madrid, mas a equipe merengue terá que abrir ao menos um ponto de vantagem para os rivais se quiser levantar a taça. Isso porque o Barça venceu um dos jogos contra o Real, e outro terminou empatado.
Já no "Calcio", a situação é mais doida ainda: se Internazionale e Milan terminarem empatados, dá Inter; se for Milan e Roma, dá Milan; e se Roma e Inter ficarem iguais, dá Roma. Lembrando, não são levados em conta outros critérios, como saldo de gols, gols marcados e número de vitórias.
Não soa incoerente?
Se a proposta do campeonato é de pontos corridos, um confronto direto de duas partidas, num universo de 38, pode decidir o campeão? É, mal comparando, praticamente um mata-mata, veementemente criticado por quase todos os sabichões da imprensa brasileira.
Ao menos na Itália, até pouco tempo atrás, havia o spareggio, um confronto final no caso de empate entre duas equipes, não apenas para decidir o campeão, mas também os classificados para competições continentais e os rebaixados para a série B.
Não sou dono da verdade e estou apenas explanando minha opinião, mas é muito errado omitir 36 jogos e fazer com que apenas dois resultados sejam levados conta. Agora, não espero que alguém fale isso na TV, no rádio, nos meios impressos e na internet. Porque não é elegante criticar os pontos corridos. Só o mata-mata.
Oras, façam-me o favor.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Discórdia

A primeira partida que assisti ao vivo foi um Corinthians x Bahia, em 12 de outubro de 1993, quando tinha seis anos. Com dois gols de Viola, dois de Rivaldo e um de Válber, o Timão ganhou por 5 a 1 e estava feito: era um corintiano, maloqueiro e sofredor oficial.
O jogo foi no Pacaembu, estádio com o qual tenho uma relação muito próxima. Meu Trabalho de Conclusão de Curso foi um documentário/peça radiofônica sobre esse complexo esportivo que completará 70 anos no final do mês. Além disso, trabalhei no órgão público responsável por ele, a Secretaria Municipal de Esportes.
Assim sendo, sou meio suspeito para fazê-lo, mas digo com convicção que o Pacaembu é o melhor estádio de futebol em São Paulo. Ou então, pra ser mais preciso: é o mais agradável. Pode não ser tão grande, tão pujante e tão moderno quanto o Morumbi, mas é, de longe, muito melhor para se assitir uma partida.
(Antes que surjam dúvidas, não conheço a Arena Barueri para emitir opinião sobre ela. Mas, englobando Morumbi, Palestra Itália e Canindé, sim, o Pacaembu é o melhor).
Não é por isso, no entanto, que me furtarei em dizer que o Morumbi também tem suas qualidades. Claramente, a mais importante delas é a capacidade, fundamental para receber partidas de grande porte. Tem também um excelente gramado, acessos bem honestos às arquibancadas, boa estrutura.
Visivelmente, porém, nem o Morumbi, nem o Pacaembu, nem qualquer outra casa esportiva paulistana tem condições de receber uma partida do Mundial de 2014. Para quem conhece, é evidente que a qualidade deixa muito a desejar em relação aos estádios recentemente vistos na Alemanha, em Portugal, Coreia e Japão, também em grandes eventos.
Desde o início fui favorável à construção de uma nova arena para ser a sede paulista na Copa. As razões são:
1) Uma nova construção seria, de longe, a melhor em termos de infra-estrutura, aproximando-se do ideal.
2) Dessa maneira, São Paulo poderia retomar o espaço perdido para Belo Horizonte e Brasília na disputa pela partida de abertura do Mundial
3) A cidade carece de espaços multiuso de grande porte. Morumbi e Palestra Itália recebem espetáculos dos mais diversos, mas não foram concebidos com esse intuito. Assim, a estrutura desses estádios sempre fica comprometida ao término dos shows.
Naturalmente, quando me refiro a uma nova construção, é bom que fique claro: DINHEIRO PRIVADO! Nem município, nem estado, nem União devem injetar valores nesse tipo de empreitada. A participação dessas instâncias na Copa deve estar focada na criação de infra-estrutura urbana (hospitais, transporte público, vias de trânsito, etc.) adequada para a utilização das milhões de pessoas que estarão aqui em 2014.
O tempo existe, mas é muito escasso. Caso essa nova opção não seja viabilizada, nem o comitê organizador paulista convença a Fifa que o Morumbi estará apto, São Paulo corre riscos de assistir às partidas da Copa do Mundo de 2014 somente na televisão.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Easy choice

Ah, como é bom começar a semana com chuva, frio e na expectativa do primeiro major de golfe do ano! Ainda mais porque, em 2010, o Masters não será apenas "o primeiro major do ano".
Pra começo de conversa, marcará a volta do fenômeno Tiger Woods aos campos, depois do longo e tenebroso recesso. No fundo, fica a expectativa de que ele jogue muito, arrase com os adversários e vista mais uma vez a jaqueta verde. Mas qualquer cobrança sobre o desempenho dele será exagerada, uma vez que o período sem jogar, assim como acontece em outras modalidades, prejudica bastante.
Outra presença marcante será a de David Duval. O campeão de 2001 do British Open, se não voltou à velha forma, que chegou a levá-lo ao número 1 do ranking mundial, ao menos resgatou um pouco de seu jogo. Tanto que foi o vice-campeão do US Open de 2009 e, na atual temporada, obteve a segunda colocação no AT&T Pebble Beach National Pro-Am. Duval sempre foi um grande jogador e torço muito pela recuperação dele.
Mas o grande favorito parece ser um velho conhecido da torcida: Ernie Els. Depois de um bom tempo longe dos holofotes - não venceu no PGA entre 2005 e 2007 e, até 2010, só tinha levado mais um título, o sul-africano vive ótimo momento em 2010, com duas conquistas, incluindo a de um torneio da série mundial.
A característica mais marcante de Els - ganhador de dois US Open e um British Open - é a facilidade com que faz o movimento de bater na bola - o swing. Tanto que, mundo afora, o apelido dele é "The Big Easy".
A ótima forma recente, aliada ao momento irregular de outros grandes jogadores, como Phil Mickelson, Padraig Harrington e Vijay Singh, colocam Els no topo de minha lista de candidatos ao título. Steve Stricker é outro forte concorrente, ainda que pese sobre ele o fato de nunca ter vencido um major, portanto, estará mais suscetível às pressões do campo de Augusta.
Meu top-5 para o Masters:
1) Ernie Els
2) Steve Stricker
3) Retief Goosen
4) Tiger Woods
5) Jim Furyk
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Desgaste, o vilão da Copa do Mundo

Tarde de quarta-feira no Brasil, UEFA Champions League no ar. Dois jogos e muita expectativa sobre um deles, Arsenal x Barcelona, na reedição da final da temporada 2005/06.
O jogo até que correspondeu às expectativas - um 2 a 2 relativamente heroico para os Gunners, que saíram perdendo por 2 a 0. Mas o saldo foi bastante negativo, pelo menos para o elenco da equipe inglesa.
Arshavin, Gallas e Fábregas se lesionaram no decorrer da partida. Tirando o russo, cuja seleção não participará da competição, os outros sofrerão com dificuldades-extra na preparação para a Copa do Mundo - lembrem-se, começará em 11 de junho.
Tudo bem, nem Gallas para a França nem Fábregas para a Espanha são peças insubstituíveis, apesar, é claro, de serem grandes jogadores. Mas essas lesões, somadas à de Rooney durante Bayern x Manchester United no dia anterior, servem de alerta a todos os envolvidos no principal torneio do futebol mundial. Especialmente para quem joga na Europa.
Vamos pensar: a temporada de clubes no velho continente se inicia em agosto/setembro, estendendo-se normalmente até maio. Ou seja, entre o final de março e o começo de abril, os jogadores já sentem o desgaste físico (e o mental) com muita intensidade.
Em outras palavras, a Copa do Mundo acontece exatamente no período de férias dos atletas, que, acostumados com essa rotina a cada nova temporada, já estão acostumados a essa época de descanso.
Ao substituí-lo por competição de altíssimo nível, todos estão levando os respectivos corpos a um desgaste para o qual, em muitos casos, não estão preparados. E é assim que, historicamente, constatamos diversas ausências de grandes jogadores nos Mundiais, acometidos por diversas lesões possíveis.
No caso da Seleção Brasileira, o episódio mais recente de "corte" aconteceu exatamente em 2006, quando Edmílson foi cortado de última hora e Mineiro foi convocado para ocupar a vaga.
Em 2002, Emerson, em 1998, Romário, e em 1994, Ricardo Gomes e Mozer, todos eles também foram cortados, ainda que em situações bastante específicas - como a queda de mau jeito de Emerson quando brincava de goleiro, já na Coreia, obrigando Felipão a chamar Ricardinho em cima da hora.
Que os deuses da bola protejam Messi, Cristiano Ronaldo, Kaká, Robben, Fernando Torres e todos os outros craques que merecem brilhar na África do Sul.
segunda-feira, 22 de março de 2010
#Senna50

Uma ou outra vez já escrevi sobre o assunto em outros lugares, mas é muito justo voltar a ele numa data importante como a de ontem.
Ayrton Senna, por mais que isso seja clichê, foi um grande heroi que tive.
Sim, eu acordava aos domingos para assistí-lo, vê-lo vencer.
Sim, eu ficava muito irritado quando a McLaren tinha um problema qualquer e ele abandonava a prova.
Sim, eu estava assistindo ao GP de San Marino de 1994.
Sim, eu fiquei absolutamente chocado quando houve o acidente, em especial por causa da tragédia do dia anterior, com a morte de Roland Ratzenberger.
Sim, eu imaginei que o mais grave tinha acontecido quando o helicóptero levou o nosso campeão para o Hospital Maggiore de Bolonha.
Não, eu nunca chorei a morte de Ayrton Senna.
Nem no dia, nem um, nem 15 anos depois do acidente na Tamburello.
O que sempre fiz, desde aquele 1º de maio, foi tentar conhecer ao máximo os feitos desse tricampeão, comprando livros, dvd's assistindo matérias da internet.
Hoje, tenho ciência de que Senna representou muito mais para o Brasil do que as 41 vitórias e 65 poles obtidas em 161 provas. Ele foi "a boa notícia" que o brasileiro tinha de tempos em tempos, numa época de desilusões políticas, de caos financeiro e, até mesmo, de fracasso naquele esporte sempre ligado à cultura popular do nosso país, o futebol.
Com a morte de Ayrton, foi-se um pouco da confiança que nosso povo tinha sobre nós mesmos. Perder um expoente é, muitas vezes, igual a perder o caminho e se sentir totalmente no escuro.
Confesso que a caracterísitca que mais admirava neste piloto que teria completado 50 anos ontem sempre foi o poder de imersão em sua própria mente, gerando um nível de concentração e determinação sem precedentes. A timidez e a introspecção eram decisivas nesse processo, decisivo para a formação de uma personalidade campeã.
Não cabe discutir aqui se ele foi o melhor piloto de todos os tempos ou não.
O que afirmo, sem medo de errar, é que ele foi o maior nome da história do automobilismo. E a isso atribuo não apenas o talento para guiar um carro, mas, sobretudo, ao poder de ter se tornado um nome mais marcante do que a própria F-1.
Parabéns, Ayrton.
E obrigado.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Come back, kid

Já é de praxe a ansiedade que todos os fãs de golfe sentem quando o Masters se aproxima. Principalmente pelo fato de ser o primeiro major do ano, reunindo o grupo mais seleto de atletas - dos grandes, é o torneio com o menor field - pra jogar num campo altamente apreciado.
Em 2010, no entanto, ansiedade não é o termo correto. Talvez furor o seja. E o motivo tem nome e sobrenome: Eldrick Woods, o Tiger. Depois de quase seis meses de afastamento devido à masmorra em que se transformou sua vida pessoal, o melhor jogador da atualidade retornará ao circuito naquele que foi o primeiro palco de seus shows de técnica e preparo mental.
Faz 13 anos que Tiger venceu o Masters pela primeira vez, recém-saído da zona "teen". Desde então, foram outros 13 majors - o último deles, o US Open de 2008 - e um total de 71 títulos conquistados, colocando este californiano como o terceiro maior vencedor da história.
Mas tudo que Woods conquistou em quase 15 anos de carreira foi devidamente esculhambado pela opinião pública após o escândalo de novembro de 2009, quando ele bateu o carro circustâncias mal explicadas e, pouco tempo depois, foi acusado pela mulher Elin Nordgren de traí-la com várias outras mulheres nos últimos anos. Fato que foi confirmado por Tiger em depoimento coletivo e fez com que se afastasse do esporte desde então.
Honestamente.
Desde que não estejam cometendo contravenções graves (como comprar motos para mães de pessoas envolvidas com o tráfico), ninguém tem absolutamente nada a ver com a vida das personalidades, sejam do meio esportivo ou não.
A questão é crítica apenas para Tiger, Elin e os parentes. Quem repercute publicamente este tipo de fato está, invariavelmente, querendo aparecer ou, no caso dos veículos de imprensa, ter mais ibope/vendagem. O pior é que, de fato, conseguem, visto que o nível de interesse do público consumidor de informações é altamente duvidoso.
Os verdadeiros fãs do golfe - e do esporte, de modo geral - mal podem esperar para acompanhar a caminhada de Tiger até o tee do buraco 1, aplaudí-lo e apreciar um excelente drive no meio do fairway. Tiger, com o perdão do trocadilho, ainda tem muita lenha pra queimar.
Nos próximos anos, poderemos assistir a um homem fazendo história no gofe. Tiger está cinco vitórias em Majors para ultrapassar a marca heroica de Jack Nicklaus e se consagrar como o maior da história. E é por essa e outras expectativas que não hesito em dizer: bem-vindo de volta, garotão!
sexta-feira, 12 de março de 2010
Por que eu levaria Ronaldinho pra Copa?

Manchester United 4 x 0 Milan. Pronto. A eliminação da equipe italiana foi um prato cheio para os críticos atrozes de Ronaldinho Gaúcho abrirem o bico. "Ele não chamou o jogo pra si". "Ele se escondeu". "Ele faz assim na Seleção e por isso não é convocado". E outros comentários com um leve toque de veneno.
São essas as pessoas que vão criticar com a maior feracidade um possível mau desempenho do Brasil na Copa do Mundo desse ano, anotem. Porque, se não são capazes de analisar o conjunto da obra, certamente olharão apenas para o placar final dos jogos, aplaudirão as vitórias com convicção ("tava na cara que ia ganhar!") e descerão a lenha nas derrotas ("nunca podia dar certo!").
Pra começo de conversa, os "patrulhas" acompanham futebol internacional? Duvido. Senão saberiam que o Milan tinha desfalques sérios para o jogo (como Nesta e Pato) e conta com um elenco reduzido em tamanho e qualidade (ou alguém realmente acha Abbate e Borrielo bons jogadores?).
E, ao mesmo tempo, reconheceriam que o Manchester United é um dos cinco melhores times do mundo no momento (na minha opinião, ao lado de Barcelona, Internazionale, Chelsea e Arsenal). Tem um conjunto forte, com bons valores em todas as posições. E aquele que vai se tornando favorito ao prêmio de "melhor do mundo da Fifa" em 2010 (depende do que fizer na Copa), Wayne Rooney.
Ronaldinho não teve culpa nessa eliminação. Dadas as limitações rossoneras, diria que a contribuição dada por ele nos jogos contra os pequenos já foi de extrema valia para o Milan se manter até agora na briga pelo título italiano. Coisa que não aconteceu nos últimos anos.
Ele tem feito mais pelo clube do que, por exemplo, Kaká vem fazendo pelo Real Madrid. E olha que, no caso dos madrilenhos, escassez no plantel não é desculpa. Os passes, os chutes, os corta-luzes. Faz a melhor temporada desde 2005/2006, quando foi fundamental para o sucesso do Barcelona na Champions League.
É plausível que os treinadores tenham jogadores de confiança, inclusive os selecionadores nacionais. Como fechar os olhos, por exemplo, para a fidelidade de Parreira e Zagallo ao esforçado, mas limitado Taffarel, num período em que o país tinha goleiros jogando em altíssimo nível, como Zetti, Velloso e Carlos Germano? E a escolha deu muito mais certo do que errado, a história mostra.
Mas outra coisa é limitar a convocação a esses critérios afetivos, fechando os olhos para o desempenho dos atletas no momento. Se você perguntar para os parentes de Júlio Baptista se ele merece ser convocado, provavelmente dirão que sim. E não serão muitos além deles a emitirem parecer favorável. Quem acompanha realmente o futebol sabe que o Júlio vem jogando muito mal pela Roma, muitas vezes ficando no banco.
O Caso Ronaldinho é apenas o mais agudo dos exemplos da má gestão de Dunga frente à Seleção. Se fosse para levar os melhores, não só Ronaldinho, mas Neymar e PH Ganso também deveriam jogar na África do Sul. Contudo, não se iludam. Preparem-se para vibrar com Elanos, Josués e Felipes Melo na campanha em busca do Hexa.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Tira-teima na F-1 2010

Sim, famigerados por automobilismo, chegou a hora. Na próxima sexta-feira, o circuito de Sakhir, no Bahrein, receberá os 24 personagens daquela que promete ser a melhor temporada dos últimos tempos da F1, para os primeiros treinos livres do ano.
Claro, a maior parte desses pilotos será coadjuvante na disputa pelo título. E, para ficar apenas nela, nesse primeiro momento, será interessante verificar certas disputas, internas e externas. Até porque, ao que parece, temos três ou quatro equipes em condição de lutar pelas vitórias no início do ano.
- Fernando Alonso x Felipe Massa: tem tudo para ser a mais explosiva dupla da temporada, para o bem ou para o mal. Alonso é, pra mim, o melhor da F1 atual, mas Massa também é muito rápido e conta com motivação extra de retornar às provas, depois do terrível acidente nos treinos para o GP da Hungria no ano passado.
- Jenson Button x Lewis Hamilton: qual dos dois ingleses será o queridinho de Martin Whitmarsh e companhia bela em 2010? Teoricamente, ambos têm condições iguais, pois são os mais recentes campeões mundiais. Mas não devemos esquecer que, ao contrário de Button, Hamilton é "cria" da McLaren desde a adolescência e pode ter vantagem com isso.
- Michael Schumacher x Sebastian Vettel: o novo e o velho frente a frente. O retorno do heptacampeão foi fabuloso para aumentar ainda mais o interesse do público na categoria. Por outro lado, a princípio, o Red Bull de Vettel parece mais competitivo nesse início de ano. Seja como for, não faltarão motivos para os alemães acompanharem a categoria...
Muito difícil fazer prognósticos antes dos treinos livres. Se fosse pra apontar os favoritos hoje, cravaria um pódio com Alonso, Massa e Vettel. Mas é puro palpite.
Que seja dada a largada.
sábado, 6 de março de 2010
O melhor time. Mas, no melhor campeonato?

Interessante constatar que, volta e meia, o melhor time do Brasil no primeiro semestre não está na disputa da Copa Libertadores da América. Em 2010, o envolvente Santos exemplifica essa questão.
Alguém duvida que os novos "meninos da Vila" estão jogando o melhor futebol da atualidade? Sob comando do excelente Dorival Júnior, feras como Edu Dracena, Arouca, Neymar, Robinho e (sobretudo, pra mim) Paulo Henrique Ganso encantam pela rapidez no toque na movimentação, o passe preciso, o drible desconcertante. Fato.
Mas qual é o máximo que uma equipe dessas pode alcançar, ao menos nesses primeiros meses? As fases derradeiras da Copa do Brasil - já que, pela realização da Copa do Mundo, a final acontecerá somente no segundo semestre - e o título do Paulistão.
Não que não sejam boas conquistas. Vencer é sempre melhor que perder, ora bolas! Mas as competições mais importantes, Brasileirão e Libertadores? No caso do nacional, sabemos que é muito longo e sofre direta interferência da janela de transferências. E o Santos, de longe, será o time mais visado pelos carniceiros olheiros internacionais.
Pior ainda, a Libertadores só em 2011, e olhe lá. Olhe lá porque não há nenhuma garantia que a mesma força mostrada atualmente terá sido mantida até lá.
Em 2009 foi a mesma coisa. Todos apontavam Corinthians e Internacional como os "Top Teams" daqui, com o futebol mais convincente. E justificaram a condição, chegando à final da Copa do Brasil. E só. Enquanto isso, Grêmio e Cruzeiro, visivelmente abaixo de Timão e Colorado àquele momento, duelavam pela final da Libertadores, que depois seria conquistada pelo Estudiantes.
Uma das máximas do futebol diz que o esporte "é momento". Nada melhor para os santistas, pois, que comemorar os ótimos resultados até agora. Mas, no fundo, seguramente haverá um pontinha de chateação por não mostrar essa qualidade em canchas mais qualificadas.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Uma paixão chamada poker

Quando se pensa em um jogo de poker, que imagem vem à sua mente? Um monte de malandros, bebendo whisky, fumando charuto, prontos para sacarem uma arma do bolso se o resultado final da mão for desfavorável? Ou então, alguns cowboys que tiram dinheiro vivo do bolso para colocar na mesa de apostas e, caso seja necessário, põem até a chave do carro e do apartamento?
Esqueça tudo isso. Há 50 anos, nos bares norte-americanos, esses panoramas até eram bons retrato da realidade. No século XXI, a descrição acima vai de encontro aos princípios de um torneio ou um cash game do poker.
Sou suspeitíssimo para emitir opinião, já que desde dezembro passado, dedico algumas horas de minha semana ao estudo e à prática do esporte, unicamente, até o momento, em salas online. Por outro lado, posso emitir um depoimento do que o poker significa para mim, e sei que muitos comungam dessa opinião.
Mais do que um jogo, ou até mesmo, um esporte, o poker é uma mega-ferramenta de auto-conhecimento e de estímulo ao raciocínio. Pra você ser um vencedor, precisa que dois fatores estejam caminhando juntos: sorte e habilidade.
Existe uma corrente amplamente defendida pelos profissionais brasileiros de que o poker não é um jogo de sorte, mas sim de habilidade. Oras, como poderia não ser um jogo em que a sorte é fundamental? Na modalidade mais conhecida, o Texas Hold'em, cada jogador recebe duas cartas, de 52 possíveis. Na mesa, aparecem mais três cartas, depois mais uma, e outra por fim.
Como prever cada uma delas? É claro que, de acordo com o que você tem na mão, combinado com a mesa, você vai ter ou não o melhor jogo!
Acontece que tudo isso pode ser previsto matematicamente. O que realmente diferencia os jogadores amadores dos grandes competidores é a imersão no pensamento dos adversários, de modo a analisar, de acordo com a rotina de apostas, a posição da jogada, e até os gestuais que ele faz, a força do jogo dele.
Quando se consegue ler o padrão de apostas dos oponentes, torna-se possível a previsão do jogo que eles possuem. E, finalmente, "dar o troco" (termo técnico: reraise) quando ele faz uma aposta tendo um blefe na mão.
Desnecessário dizer que os pequenos detalhes tornam o jogo fascinante. Descrever as regras do poker é fácil, o difícil é explicar as milhões de variantes que uma rodada traz.
Quem quiser conhecer mais pode encontrar muito material na internet. O site mais bacana para os brasileiros é o MaisEV, com informações vastas.
Bem-vindos ao jogo, kids.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Religião e Esporte, mecanismos de fuga da realidade

Este blog mal começou a já ficou sem postagens por longo tempo. Este texto, por exemplo, já deveria ter sido redigido e publicado há um mês, data em que pude tomar as ideias contidas nele como verdades - pra mim, pelo menos.
Pensei muitas vezes antes de publicar algo deste tipo, por várias razões. A primeira é de que este é um espaço eminentemente esportivo, nunca achei que iria mesclar a temática com outros assuntos. Mas fez-se necessário, uma vez que é algo que me incomoda profundamente. Provavelmente não voltarei a tocar no assunto, por ser polêmico, mas vou registrá-lo.
É flagrante o poder que o esporte e a religião, essencialmente a cristã protestante, exercem na vida das pessoas. Uma influência basicamente sadia, mas que pode muitas vezes ter um poder alucinógeno em quem a recebe.
Presenciei uma cerimônia de casamento numa Igreja Presbiteriana. O espaço difere bastante das tradicionais igrejas católicas. Saem os vitrais, imagens sacras estatizadas, pinturas e padre, entram declarações floridas, muita cantoria e vários pastores.
A cerimônia, a começar pela entrada dos noivos, juntos, é marcante. Mais da metade dela é basicamente musical, ao contrário do pragmatismo do casamento católico, com a entrada dos padrinhos, noivo, música da noiva, noiva.
Mas o que mais chama a atenção é a condução feita, na qual não há a preocupação com o entendimento por parte de pessoas de outras religiões. O pastor-condutor lança o nome do livro, do capítulo, do versículo, e, repentinamente, todos sacam a bíblia dos bolsos e bolsas, leem com afinco e emitem, ao mesmo tempo, expressões de bons desejos ao novo casal.
Passada uma hora, finda a cerimônia, todos saem para os cumprimentos e, fileira por fileira, uma a uma, as pessoas põem fim a uma sessão de bençãos e fervorosas crenças. Perdem o aspecto sôfrego-emocionado-glorificado, próprio de quem acabou de receber (ou conceder) um milagre e voltam a ser homens e mulheres de comportamento usual.
Oras, o que pode ter sido esse período senão uma fuga completa da realidade?
É natural, para os noivos, o pensamento de que este foi um momento único e marcante em suas vidas, no qual todas as emoções saltaram à flor da pele. Para os familiares também, ainda que em menor grau. E para os amigos e colegas, ainda menor.
Mas enquanto estavam ali, se dedicaram plenamente a um determinado processo - no caso, o casamento - e afastaram todo e qualquer pensamento cotidiano de suas vidas. Uma verdadeira catarse, uma explosão de sentimentos.
Exatamente igual àquela que surge depois de um gol decisivo, assegurando um títlo ou uma vitória sobre o maior rival, por exemplo.
Quando se vai a um estádio de futebol, assim como na Igreja, o ser humano esquece, por um período bem definido de tempo (90 minutos), todos os problemas. O que importam as contas, as enfermidades, as discussões? O que importa é a "vitória do meu time".
Durante o culto, os religiosos agem da mesma maneira: estão preocupados apenas em louvar, louvar e louvar, ainda que seja por algo que tenha acontecido com eles próprios. Quando a cerimônia termina, os pensamentos em torno da religião até existem, mas não são manifestos - apenas em ocasiões especiais, quando a pessoa quer mostrar/provar a outra sua temência a Deus.
Não sou ninguém para aprovar ou reprovar qualquer coisa, muito menos quando futebol e religião estão envolvidos. Inclusive, considero benéficos os efeitos desses momentos de catarse na maior parte das pessoas. Mas é inegável que, também na maior parte dos casos, esses se tornam dois fatores de obnubilção da realidade.
Em outra palavra, fuga.
Em outras, mais fortes, método de se livrar de responsabilidades impostas pela vida, nem que de maneira passageira.
O atroz ápice dessa cegueira coletiva se dá quando chegamos ao fundamentalismo religioso, mais comum no cristianismo e no islamismo, e à selvageria entre torcedores, motivada por algo que deve ser parecido com a demência.
O que quero dizer com tudo isso é: tentar mascarar a realidade por meio de instrumentos, sejam eles quais forem, trarão mais prejuízo do que lucro, ao menos a longo prazo.
Enxergo a religião como a explicação para aquilo que não pode ser tangido pela lógica, tenho minhas crenças e sei do resguardo que é você ter esse porto seguro. E vejo o esporte como um apêndice importante na vida das pessoas, para relaxar, divertir, entreter, mas jamais cegá-las.
Assim sendo, continuemos com nossas crenças, nossas torcidas, sem nunca, no entanto, esquecer que a vida é muito mais do que religião e futebol.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Clima retrô: essa é a F1 2010

Brawn GP, BMW, Toyota, Kimi Raikkonen, Giancarlo Fisichella, Max Mosley. Com o término da temporada 2009 da F1, todos esses personagens deram adeus à categoria mais importante do automobilismo mundial. Ares de renovação para 2010, certo?
Em termos. Apesar de todas essas saídas, o próximo campeonato terá retornos que podem ser mais significativos que as perdas.
O mais surpreendente e, até certo ponto, polêmico, é o de Michael Schumacher. Sim, o detentor de 95% (ou mais) dos recordes da F1 deu fim à aposentadoria e alinhará no GP do Bahrein, prova de abertura, com o número 3 da Mercedes - que comprou a campeã Brawn GP.
É difícil prever o desempenho do heptacampeão, já frequentador da casa dos 40 anos. Trata-se de talento puro, mas seria precipitado negar que o desgaste físico é maior para aqueles, digamos, mais experientes.
Mais uma volta: o sobrenome Senna. Bruno, sobrinho de Ayrton, estreará pela Campos Meta, isto é, se a equipe não fechar as portas antes mesmo da primeira prova - muitas especulações apontam sérias dificuldades financeiras no time de Adrián Campos.
Bruno, é óbvio, sofrerá muita pressão. Especialmente dos brasileiros. Comparações com o tio acontecem desde que voltou ao automobilismo, em 2003, mas na F1 tudo ganha uma proporção maior. Felizmente parece ter boa cabeça, sem cair na conversa de torcedores e jornalistas sobre lutar por vitórias e títulos. Tudo a seu tempo.
No regulamento técnico, o banimento do reabastecimento durante as provas está de volta, após 17 anos. Para se ter uma ideia, dos 26 pilotos que devem começar a temporada (três ainda são desconhecidos, na Renault, USF1 e Campos Meta), somente Schumacher e Barrichello já participaram de provas na F1 sem reabastecimento.
Essa mudança mexerá profundamente com a estrutura dos bólidos. Agora, as equipes terão que trabalhar em cima da variação de peso durante as provas. Não se surpreendam se perceberem um camarada disparando no início da corrida e perdendo toda a vantagem no decorrer dela.
Mais para frente, falarei mais sobre a temporada 2010 - pretendo analisar equipe por equipe, mas quando a abertura estiver mais próxima. Enquanto isso, vamos nos acostumando a esse clima nostálgico que vai chegar com ela. Pra falar um termo da moda, essa "onda retrô".
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Dessa vez, sem surpresas

Começa a segunda semana do Australian Open 2010, primeiro Grand Slam do calendário do tênis. Após quatro rodadas completas, os favoritos ao título permanecem na disputa, coisa rara quando o assunto é AO.
A explicação mais razoável para esse fenômeno é a de que os jogadores ainda não estão no melhor dos condicionamentos físico e técnico, especialmente os que competem em altíssimo nível, pois esses competiram uma semana a mais em 2009 - na Masters Cup - e dedicam as primeiras semanas do ano seguinte a torneios de exibição.
Mas as zebrinhas não tiveram vez na atual edição. Federer, Nadal, Djokovic, Murray e Davydenko, os grandes nomes do momento, estão vivíssimos. A exceção fica com a queda de Del Potro, para Cilic, o que está longe de ser um espanto - o croata é certamente o próximo candidato a top.
Naturalmente essa festa tem data para acabar, mais precisamente nessa madrugada, que trará o confronto palpitante entre Nadal e Murray, além do não menos interessante Cilic versus Roddick - o algoz do brasileiro Thomaz Bellucci.
Na próxima madrugada, mais show com dois clássicos: Federer x Davydenko e a reedição da final de 2008, com Djokovic diante de Tsonga.
Meus palpites: passam Nadal, Cilic, Davydenko e Djokovic. Mas não será nenhum espanto se os resultados forem os opostos.
Memória
- O melhor desempenho de Gustavo Kuerten em Melbourne foi a 3ª rodada, em 2004.
- No ano anterior, Guga esboçou o melhor começo de temporada da carreira, ao ganhar a final de Auckland (torneio que antecede o Australian Open) contra Dominik Hrbaty. Mas no Open, não passou da segunda rodada.
- Jogadores que fizeram do Australian Open seu único título de Grand Slam: Mark Edmondson (1976), Vitas Gerulaitis (1977), Brian Teacher (1980), Petr Korda (1998), Thomas Johansson (2002) e Novak Djokovic (2008).