
Uma ou outra vez já escrevi sobre o assunto em outros lugares, mas é muito justo voltar a ele numa data importante como a de ontem.
Ayrton Senna, por mais que isso seja clichê, foi um grande heroi que tive.
Sim, eu acordava aos domingos para assistí-lo, vê-lo vencer.
Sim, eu ficava muito irritado quando a McLaren tinha um problema qualquer e ele abandonava a prova.
Sim, eu estava assistindo ao GP de San Marino de 1994.
Sim, eu fiquei absolutamente chocado quando houve o acidente, em especial por causa da tragédia do dia anterior, com a morte de Roland Ratzenberger.
Sim, eu imaginei que o mais grave tinha acontecido quando o helicóptero levou o nosso campeão para o Hospital Maggiore de Bolonha.
Não, eu nunca chorei a morte de Ayrton Senna.
Nem no dia, nem um, nem 15 anos depois do acidente na Tamburello.
O que sempre fiz, desde aquele 1º de maio, foi tentar conhecer ao máximo os feitos desse tricampeão, comprando livros, dvd's assistindo matérias da internet.
Hoje, tenho ciência de que Senna representou muito mais para o Brasil do que as 41 vitórias e 65 poles obtidas em 161 provas. Ele foi "a boa notícia" que o brasileiro tinha de tempos em tempos, numa época de desilusões políticas, de caos financeiro e, até mesmo, de fracasso naquele esporte sempre ligado à cultura popular do nosso país, o futebol.
Com a morte de Ayrton, foi-se um pouco da confiança que nosso povo tinha sobre nós mesmos. Perder um expoente é, muitas vezes, igual a perder o caminho e se sentir totalmente no escuro.
Confesso que a caracterísitca que mais admirava neste piloto que teria completado 50 anos ontem sempre foi o poder de imersão em sua própria mente, gerando um nível de concentração e determinação sem precedentes. A timidez e a introspecção eram decisivas nesse processo, decisivo para a formação de uma personalidade campeã.
Não cabe discutir aqui se ele foi o melhor piloto de todos os tempos ou não.
O que afirmo, sem medo de errar, é que ele foi o maior nome da história do automobilismo. E a isso atribuo não apenas o talento para guiar um carro, mas, sobretudo, ao poder de ter se tornado um nome mais marcante do que a própria F-1.
Parabéns, Ayrton.
E obrigado.



