segunda-feira, 22 de março de 2010

#Senna50


Uma ou outra vez já escrevi sobre o assunto em outros lugares, mas é muito justo voltar a ele numa data importante como a de ontem.

Ayrton Senna, por mais que isso seja clichê, foi um grande heroi que tive.

Sim, eu acordava aos domingos para assistí-lo, vê-lo vencer.

Sim, eu ficava muito irritado quando a McLaren tinha um problema qualquer e ele abandonava a prova.

Sim, eu estava assistindo ao GP de San Marino de 1994.

Sim, eu fiquei absolutamente chocado quando houve o acidente, em especial por causa da tragédia do dia anterior, com a morte de Roland Ratzenberger.

Sim, eu imaginei que o mais grave tinha acontecido quando o helicóptero levou o nosso campeão para o Hospital Maggiore de Bolonha.

Não, eu nunca chorei a morte de Ayrton Senna.

Nem no dia, nem um, nem 15 anos depois do acidente na Tamburello.

O que sempre fiz, desde aquele 1º de maio, foi tentar conhecer ao máximo os feitos desse tricampeão, comprando livros, dvd's assistindo matérias da internet.

Hoje, tenho ciência de que Senna representou muito mais para o Brasil do que as 41 vitórias e 65 poles obtidas em 161 provas. Ele foi "a boa notícia" que o brasileiro tinha de tempos em tempos, numa época de desilusões políticas, de caos financeiro e, até mesmo, de fracasso naquele esporte sempre ligado à cultura popular do nosso país, o futebol.

Com a morte de Ayrton, foi-se um pouco da confiança que nosso povo tinha sobre nós mesmos. Perder um expoente é, muitas vezes, igual a perder o caminho e se sentir totalmente no escuro.

Confesso que a caracterísitca que mais admirava neste piloto que teria completado 50 anos ontem sempre foi o poder de imersão em sua própria mente, gerando um nível de concentração e determinação sem precedentes. A timidez e a introspecção eram decisivas nesse processo, decisivo para a formação de uma personalidade campeã.

Não cabe discutir aqui se ele foi o melhor piloto de todos os tempos ou não.

O que afirmo, sem medo de errar, é que ele foi o maior nome da história do automobilismo. E a isso atribuo não apenas o talento para guiar um carro, mas, sobretudo, ao poder de ter se tornado um nome mais marcante do que a própria F-1.

Parabéns, Ayrton.

E obrigado.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Come back, kid


Já é de praxe a ansiedade que todos os fãs de golfe sentem quando o Masters se aproxima. Principalmente pelo fato de ser o primeiro major do ano, reunindo o grupo mais seleto de atletas - dos grandes, é o torneio com o menor field - pra jogar num campo altamente apreciado.

Em 2010, no entanto, ansiedade não é o termo correto. Talvez furor o seja. E o motivo tem nome e sobrenome: Eldrick Woods, o Tiger. Depois de quase seis meses de afastamento devido à masmorra em que se transformou sua vida pessoal, o melhor jogador da atualidade retornará ao circuito naquele que foi o primeiro palco de seus shows de técnica e preparo mental.

Faz 13 anos que Tiger venceu o Masters pela primeira vez, recém-saído da zona "teen". Desde então, foram outros 13 majors - o último deles, o US Open de 2008 - e um total de 71 títulos conquistados, colocando este californiano como o terceiro maior vencedor da história.

Mas tudo que Woods conquistou em quase 15 anos de carreira foi devidamente esculhambado pela opinião pública após o escândalo de novembro de 2009, quando ele bateu o carro circustâncias mal explicadas e, pouco tempo depois, foi acusado pela mulher Elin Nordgren de traí-la com várias outras mulheres nos últimos anos. Fato que foi confirmado por Tiger em depoimento coletivo e fez com que se afastasse do esporte desde então.

Honestamente.

Desde que não estejam cometendo contravenções graves (como comprar motos para mães de pessoas envolvidas com o tráfico), ninguém tem absolutamente nada a ver com a vida das personalidades, sejam do meio esportivo ou não.

A questão é crítica apenas para Tiger, Elin e os parentes. Quem repercute publicamente este tipo de fato está, invariavelmente, querendo aparecer ou, no caso dos veículos de imprensa, ter mais ibope/vendagem. O pior é que, de fato, conseguem, visto que o nível de interesse do público consumidor de informações é altamente duvidoso.

Os verdadeiros fãs do golfe - e do esporte, de modo geral - mal podem esperar para acompanhar a caminhada de Tiger até o tee do buraco 1, aplaudí-lo e apreciar um excelente drive no meio do fairway. Tiger, com o perdão do trocadilho, ainda tem muita lenha pra queimar.

Nos próximos anos, poderemos assistir a um homem fazendo história no gofe. Tiger está cinco vitórias em Majors para ultrapassar a marca heroica de Jack Nicklaus e se consagrar como o maior da história. E é por essa e outras expectativas que não hesito em dizer: bem-vindo de volta, garotão!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Por que eu levaria Ronaldinho pra Copa?


Manchester United 4 x 0 Milan. Pronto. A eliminação da equipe italiana foi um prato cheio para os críticos atrozes de Ronaldinho Gaúcho abrirem o bico. "Ele não chamou o jogo pra si". "Ele se escondeu". "Ele faz assim na Seleção e por isso não é convocado". E outros comentários com um leve toque de veneno.

São essas as pessoas que vão criticar com a maior feracidade um possível mau desempenho do Brasil na Copa do Mundo desse ano, anotem. Porque, se não são capazes de analisar o conjunto da obra, certamente olharão apenas para o placar final dos jogos, aplaudirão as vitórias com convicção ("tava na cara que ia ganhar!") e descerão a lenha nas derrotas ("nunca podia dar certo!").

Pra começo de conversa, os "patrulhas" acompanham futebol internacional? Duvido. Senão saberiam que o Milan tinha desfalques sérios para o jogo (como Nesta e Pato) e conta com um elenco reduzido em tamanho e qualidade (ou alguém realmente acha Abbate e Borrielo bons jogadores?).

E, ao mesmo tempo, reconheceriam que o Manchester United é um dos cinco melhores times do mundo no momento (na minha opinião, ao lado de Barcelona, Internazionale, Chelsea e Arsenal). Tem um conjunto forte, com bons valores em todas as posições. E aquele que vai se tornando favorito ao prêmio de "melhor do mundo da Fifa" em 2010 (depende do que fizer na Copa), Wayne Rooney.

Ronaldinho não teve culpa nessa eliminação. Dadas as limitações rossoneras, diria que a contribuição dada por ele nos jogos contra os pequenos já foi de extrema valia para o Milan se manter até agora na briga pelo título italiano. Coisa que não aconteceu nos últimos anos.

Ele tem feito mais pelo clube do que, por exemplo, Kaká vem fazendo pelo Real Madrid. E olha que, no caso dos madrilenhos, escassez no plantel não é desculpa. Os passes, os chutes, os corta-luzes. Faz a melhor temporada desde 2005/2006, quando foi fundamental para o sucesso do Barcelona na Champions League.

É plausível que os treinadores tenham jogadores de confiança, inclusive os selecionadores nacionais. Como fechar os olhos, por exemplo, para a fidelidade de Parreira e Zagallo ao esforçado, mas limitado Taffarel, num período em que o país tinha goleiros jogando em altíssimo nível, como Zetti, Velloso e Carlos Germano? E a escolha deu muito mais certo do que errado, a história mostra.

Mas outra coisa é limitar a convocação a esses critérios afetivos, fechando os olhos para o desempenho dos atletas no momento. Se você perguntar para os parentes de Júlio Baptista se ele merece ser convocado, provavelmente dirão que sim. E não serão muitos além deles a emitirem parecer favorável. Quem acompanha realmente o futebol sabe que o Júlio vem jogando muito mal pela Roma, muitas vezes ficando no banco.

O Caso Ronaldinho é apenas o mais agudo dos exemplos da má gestão de Dunga frente à Seleção. Se fosse para levar os melhores, não só Ronaldinho, mas Neymar e PH Ganso também deveriam jogar na África do Sul. Contudo, não se iludam. Preparem-se para vibrar com Elanos, Josués e Felipes Melo na campanha em busca do Hexa.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Tira-teima na F-1 2010


Sim, famigerados por automobilismo, chegou a hora. Na próxima sexta-feira, o circuito de Sakhir, no Bahrein, receberá os 24 personagens daquela que promete ser a melhor temporada dos últimos tempos da F1, para os primeiros treinos livres do ano.

Claro, a maior parte desses pilotos será coadjuvante na disputa pelo título. E, para ficar apenas nela, nesse primeiro momento, será interessante verificar certas disputas, internas e externas. Até porque, ao que parece, temos três ou quatro equipes em condição de lutar pelas vitórias no início do ano.

- Fernando Alonso x Felipe Massa: tem tudo para ser a mais explosiva dupla da temporada, para o bem ou para o mal. Alonso é, pra mim, o melhor da F1 atual, mas Massa também é muito rápido e conta com motivação extra de retornar às provas, depois do terrível acidente nos treinos para o GP da Hungria no ano passado.

- Jenson Button x Lewis Hamilton: qual dos dois ingleses será o queridinho de Martin Whitmarsh e companhia bela em 2010? Teoricamente, ambos têm condições iguais, pois são os mais recentes campeões mundiais. Mas não devemos esquecer que, ao contrário de Button, Hamilton é "cria" da McLaren desde a adolescência e pode ter vantagem com isso.

- Michael Schumacher x Sebastian Vettel: o novo e o velho frente a frente. O retorno do heptacampeão foi fabuloso para aumentar ainda mais o interesse do público na categoria. Por outro lado, a princípio, o Red Bull de Vettel parece mais competitivo nesse início de ano. Seja como for, não faltarão motivos para os alemães acompanharem a categoria...

Muito difícil fazer prognósticos antes dos treinos livres. Se fosse pra apontar os favoritos hoje, cravaria um pódio com Alonso, Massa e Vettel. Mas é puro palpite.

Que seja dada a largada.

sábado, 6 de março de 2010

O melhor time. Mas, no melhor campeonato?


Interessante constatar que, volta e meia, o melhor time do Brasil no primeiro semestre não está na disputa da Copa Libertadores da América. Em 2010, o envolvente Santos exemplifica essa questão.

Alguém duvida que os novos "meninos da Vila" estão jogando o melhor futebol da atualidade? Sob comando do excelente Dorival Júnior, feras como Edu Dracena, Arouca, Neymar, Robinho e (sobretudo, pra mim) Paulo Henrique Ganso encantam pela rapidez no toque na movimentação, o passe preciso, o drible desconcertante. Fato.

Mas qual é o máximo que uma equipe dessas pode alcançar, ao menos nesses primeiros meses? As fases derradeiras da Copa do Brasil - já que, pela realização da Copa do Mundo, a final acontecerá somente no segundo semestre - e o título do Paulistão.

Não que não sejam boas conquistas. Vencer é sempre melhor que perder, ora bolas! Mas as competições mais importantes, Brasileirão e Libertadores? No caso do nacional, sabemos que é muito longo e sofre direta interferência da janela de transferências. E o Santos, de longe, será o time mais visado pelos carniceiros olheiros internacionais.

Pior ainda, a Libertadores só em 2011, e olhe lá. Olhe lá porque não há nenhuma garantia que a mesma força mostrada atualmente terá sido mantida até lá.

Em 2009 foi a mesma coisa. Todos apontavam Corinthians e Internacional como os "Top Teams" daqui, com o futebol mais convincente. E justificaram a condição, chegando à final da Copa do Brasil. E só. Enquanto isso, Grêmio e Cruzeiro, visivelmente abaixo de Timão e Colorado àquele momento, duelavam pela final da Libertadores, que depois seria conquistada pelo Estudiantes.

Uma das máximas do futebol diz que o esporte "é momento". Nada melhor para os santistas, pois, que comemorar os ótimos resultados até agora. Mas, no fundo, seguramente haverá um pontinha de chateação por não mostrar essa qualidade em canchas mais qualificadas.