
Manchester United 4 x 0 Milan. Pronto. A eliminação da equipe italiana foi um prato cheio para os críticos atrozes de Ronaldinho Gaúcho abrirem o bico. "Ele não chamou o jogo pra si". "Ele se escondeu". "Ele faz assim na Seleção e por isso não é convocado". E outros comentários com um leve toque de veneno.
São essas as pessoas que vão criticar com a maior feracidade um possível mau desempenho do Brasil na Copa do Mundo desse ano, anotem. Porque, se não são capazes de analisar o conjunto da obra, certamente olharão apenas para o placar final dos jogos, aplaudirão as vitórias com convicção ("tava na cara que ia ganhar!") e descerão a lenha nas derrotas ("nunca podia dar certo!").
Pra começo de conversa, os "patrulhas" acompanham futebol internacional? Duvido. Senão saberiam que o Milan tinha desfalques sérios para o jogo (como Nesta e Pato) e conta com um elenco reduzido em tamanho e qualidade (ou alguém realmente acha Abbate e Borrielo bons jogadores?).
E, ao mesmo tempo, reconheceriam que o Manchester United é um dos cinco melhores times do mundo no momento (na minha opinião, ao lado de Barcelona, Internazionale, Chelsea e Arsenal). Tem um conjunto forte, com bons valores em todas as posições. E aquele que vai se tornando favorito ao prêmio de "melhor do mundo da Fifa" em 2010 (depende do que fizer na Copa), Wayne Rooney.
Ronaldinho não teve culpa nessa eliminação. Dadas as limitações rossoneras, diria que a contribuição dada por ele nos jogos contra os pequenos já foi de extrema valia para o Milan se manter até agora na briga pelo título italiano. Coisa que não aconteceu nos últimos anos.
Ele tem feito mais pelo clube do que, por exemplo, Kaká vem fazendo pelo Real Madrid. E olha que, no caso dos madrilenhos, escassez no plantel não é desculpa. Os passes, os chutes, os corta-luzes. Faz a melhor temporada desde 2005/2006, quando foi fundamental para o sucesso do Barcelona na Champions League.
É plausível que os treinadores tenham jogadores de confiança, inclusive os selecionadores nacionais. Como fechar os olhos, por exemplo, para a fidelidade de Parreira e Zagallo ao esforçado, mas limitado Taffarel, num período em que o país tinha goleiros jogando em altíssimo nível, como Zetti, Velloso e Carlos Germano? E a escolha deu muito mais certo do que errado, a história mostra.
Mas outra coisa é limitar a convocação a esses critérios afetivos, fechando os olhos para o desempenho dos atletas no momento. Se você perguntar para os parentes de Júlio Baptista se ele merece ser convocado, provavelmente dirão que sim. E não serão muitos além deles a emitirem parecer favorável. Quem acompanha realmente o futebol sabe que o Júlio vem jogando muito mal pela Roma, muitas vezes ficando no banco.
O Caso Ronaldinho é apenas o mais agudo dos exemplos da má gestão de Dunga frente à Seleção. Se fosse para levar os melhores, não só Ronaldinho, mas Neymar e PH Ganso também deveriam jogar na África do Sul. Contudo, não se iludam. Preparem-se para vibrar com Elanos, Josués e Felipes Melo na campanha em busca do Hexa.
Um comentário:
Mesmo assim, corremos um sério risco de sairmos com o hexa da àfrica do Sul. Mas não pense que eu vou engolir o Dunga. Não mesmo!!
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