segunda-feira, 19 de abril de 2010

Pontos corridos na Europa: a contradição


Antes de qualquer coisa, é bom registrar minha opinião em relação ao sistema favorito de disputa de campeonatos. Sou fã do mata-mata, acho que é viável em campeonatos nacionais e coloca os times em situações de pressão em que, ao superá-las, aí sim, poderão ser considerados os melhores do país.

Para explicar minha tese, é simples. Cite um campeão brasileiro, desde 2003, que fez sucesso e chegou pelo menos à final da Libertadores do ano seguinte. Quem se propõe? Ninguém, porque não há um time que se encaixe nesse perfil. Ao contrário do Santos em 2002/2003, São Caetano, em 2001(vice)/2002, Vasco, em 1997/1998, e assim sucessivamente, só para citar os casos mais recentes.

É óbvio, minha gente. Um time que ganha mais jogos no campeonato de pontos corridos disputou todas as partidas sem, teoricamente, sofrer a pressão de ser eliminado no caso de uma derrota, ter que marcar mais um gol pra garantir vaga, etc.

Em outras palavras, não foi testado em 100%. O que, por outro lado, acontece quando essa equipe é campeã depois de passar por uma fase de classificação (soma de pontos) e por uma fase eliminatória (confrontos mata-mata), como aconteceu até o Brasileirão-2002. Quem não é provado nessa segunda etapa, na maior parte das vezes, não está pronto para encarar um confronto eliminatório.

Confrontos eliminatórios que, como disse anteriormente, são característicos das três competições de clubes mais importantes: Copa Libertadores da América, Liga dos Campeões da Europa e Mundial de Clubes da Fifa, em ordem crescente de importãncia.

Feito este necessário preâmbulo, é preciso também deixar claro que o Brasil copiou a fórmula dos pontos corridos das competições nacionais europeias. E não é porque a maioria segue o mesmo padrão que sou obrigado a concordar com ele, ou achá-lo o mais adequado.

E é justamente o sistema de pontos corridos que, ao menos em dois países, pode gerar injustiças na classificação final dos campeonatos nacionais da Espanha e da Itália.

Nos dois casos, há um critério de desempate usado no caso de duas equipes terminarem a temporada empatadas em número de pontos: o confronto direto. Ou seja, se X e Y marcaram 70 pontos, mas X venceu os dois confrontos diretos no decorrer do campeonato, então Y será o vice-campeão.

Na "Liga", O Barcelona está um ponto à frente do Real Madrid, mas a equipe merengue terá que abrir ao menos um ponto de vantagem para os rivais se quiser levantar a taça. Isso porque o Barça venceu um dos jogos contra o Real, e outro terminou empatado.

Já no "Calcio", a situação é mais doida ainda: se Internazionale e Milan terminarem empatados, dá Inter; se for Milan e Roma, dá Milan; e se Roma e Inter ficarem iguais, dá Roma. Lembrando, não são levados em conta outros critérios, como saldo de gols, gols marcados e número de vitórias.

Não soa incoerente?

Se a proposta do campeonato é de pontos corridos, um confronto direto de duas partidas, num universo de 38, pode decidir o campeão? É, mal comparando, praticamente um mata-mata, veementemente criticado por quase todos os sabichões da imprensa brasileira.

Ao menos na Itália, até pouco tempo atrás, havia o spareggio, um confronto final no caso de empate entre duas equipes, não apenas para decidir o campeão, mas também os classificados para competições continentais e os rebaixados para a série B.

Não sou dono da verdade e estou apenas explanando minha opinião, mas é muito errado omitir 36 jogos e fazer com que apenas dois resultados sejam levados conta. Agora, não espero que alguém fale isso na TV, no rádio, nos meios impressos e na internet. Porque não é elegante criticar os pontos corridos. Só o mata-mata.

Oras, façam-me o favor.

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