quinta-feira, 13 de maio de 2010

Todos (e mais alguns) os Corações do Mundo


Acompanho Mundiais de Futebol desde 1994, quando tinha sete anos - aos três, em 1990, não deveria nem saber o que é uma bola. E naquele período ficaram algumas das melhores lembranças que tenho.

A rua ficava tomada de gente, com desenhos riscados asfalto afora. Os carros, oras, eles que desviássem! E, de fato, todos respeitavam o momento dos rabiscos e da pintura.

Temáticas variadas, claro. Mas Striker, o mascote daquela Copa, era figura cativa. Outra era a imagem do capacete de Ayrton Senna, o mito recém-falecido, cuja lembrança ainda era muito forte.

Estudava no período matutino, então não faltava tempo para acompanhar a galera com as mãos na massa. Meus pais me impediam de fazer o mesmo, mas só olhar não tinha problema.

Assim, íamos o caderno especial da Copa do Diário Popular e eu rumo à calçada, onde eu leria e apreciaria o trabalho. E a mobilização só parava à noite, quase madrugada. Ninguém, afinal, se cansava.

Das partidas, lembro perfeitamente de querer acompanhar Suécia x Camarões. Jogaço, pelo menos pra mim, pelo menos naquela época. Mas tinha que acordar cedo no dia seguinte, então só pude ver os primeiros minutos. Com a chegada das férias, ahá, isso mudaria.

Com a Seleção Brasileira, aí era diferente. Todos da família reunidos em casa, para torcer nos 2 a 0, 3 a 0 e 1 a 1 da primeira fase. Apesar do susto que Kenneth Andersson havia nos proporcionado, nada a se temer até ali.

Começando a fase eliminatória, outras memórias. A raiva de ver a Nigéria perder no finalzinho pra Itália, tudo culpa daquele tal... como se chamava? Robertino Baggio? Roberto? Aquele rabo-de-cavalo lá!

Se deu mal, Argentina! Perdeu logo de cara pra Romênia, bem feito! E o Preud'Homme, que pena, não fez o gol que levaria a Bélgica à prorrogação contra a Alemanha. Que jogo suado o do Brasil, golzinho chorado no fim! E o cômico lance do México x Bulgária, onde a trave teve de ser trocada?

Quartas? Nana-neném de Bebeto, chutaço do Branco e Brasil adiante. Sacanagem, o juizão não viu a cotovelada do cara da Itália no da Espanha! Chupa, Alemanha, Letchkov, o carequinha, marcou de cabeça e tirou vocês. Pena, a bacana Romênia caiu diante da Suécia nos penais.

No dia da semifinal entre Brasil e Suécia, chegou uma TV de 20 polegadas da CCE, comprada especialmente para a ocasião, e que quebraria umas seis vezes antes de ser jogada no lixo. Deu sorte, pelo menos pro Baixinho. E lá íamos nós jogar contra a Itália, que não deu muita trela pra Bulgária.

A final foi um caso especial. A CCE deixou a sala e foi para a garagem de casa, carros na rua, vizinhos assistindo o jogo reunidos. Desnecessário descrever a festa pós-isolamento de pênalti.

Como dá pra perceber, esse torneio ficou marcado em minha mente. Com muita alegria, assisti anos depois ao filme Todos os Corações do Mundo, de Murilo Salles, um documentário da Copa que tanto me influenciou.

Dele, tirei a inspiração para esse título. E da minha paixão por Copas do Mundo, tirei a ideia de fazer um especial aqui, diário, sobre a Copa. Começando pelas equipes, mas não ficará só por aí não.

Amanhã, o Grupo A e seus participantes. Na próxima segunda-feira, o B, e assim por diante.

Espero que todos entrem na mesma vibe, porque, acreditem, Copas do Mundo são muito bacanas pra passar despercebidas.

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