
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
2010 em revista - Golfe

terça-feira, 7 de dezembro de 2010
2010 em revista - Tênis

Vazando a atmosfera nostálgica que cerca muitos adeptos - esses preferem exaltar a época de Sampras, Agassi, Muster, Becker, Edberg, ou a anterior, com McEnroe, Borg, Lendl e outros - pode-se chegar à conclusão de que os atuais líderes do ranking mundial são os melhores tenistas da história. 2010 confirmou essa condição.
Avassalador
Ele é uma máquina. Raramente falha. Se passa por um período sem lesões, torna-se quase imbatível. Apesar de não ter o reconhecimento pleno do público e dos especialistas, Nadal é um gênio das raquetes.
O único a vencer três Grand Slams seguidos havia sido o australiano Rod Laver, em 1969, quando o tênis ainda se acostumava ao profissionalismo. As taças em Roland Garros, Wimbledon e Nova Iorque, aliás, fizeram do espanhol o único a ganhar slams em três pisos diferentes na mesma temporada.
Não mexam com a fera
Se Federer tivesse chegado às finais desses torneios, quem sabe, as estatísticas poderiam ser outras. A verdade é que o suíço perdeu o véu da perfeição. Derrotas inesperadas para, respectivamente, Soderling, Berdych e Djokovic, chegaram até mesmo a ofuscar a conquista do Aberto da Austrália.
Mas se engana quem pensa que Federer iniciou a parábola descendente da carreira. Prova disso foi o desempenho intocável que teve na Masters Cup de Londres, não tomando conhecimento dos principais rivais. Ele estará forte, mais uma vez, em 2011.
Trio parada-dura
Eles não ganharam Grand Slams, mas, de vez em quando, incomodaram Nadal e Federer. Novak Djokovic, Andy Murray e Robin Soderling se consolidaram como atletas de ponta, que estão prontos para aproveitar qualquer brecha deixada pelos campeoníssimos.
O sérvio liderou o país na campanha do inédito título da Copa Davis. Já o inglês viveu dois momentos de maior destaque: as conquistas dos Masters 1000 de Toronto e Xangai. Por fim, o sueco cravou o Masters 1000 de Paris, primeiro da carreira.
Liderança improvável
Caroline Wozniacki terminou a temporada na primeira posição do ranking feminino. Mas o que chama a atenção nessa dinamarquesa, além dos traços gentis, é o fato de ter obtido essa condição sem chegar a uma única final de Grand Slam.
Caso diverso de Vera Zvonareva. A russa foi vice em Wimbledon e no US Open, assumindo o segundo lugar da lista da WTA. A belga Kim Clijsters, apesar dos altos e baixos, faturou o US Open e saltou para o terceiro lugar.
Zebras? Sempre.
Mesmo com o domínio dos Top-10, houve ocasiões em que intrusos surpreenderam. A mais marcante delas foi a vitória de Ivan Ljubicic em Indian Wells, passando por Nadal na semifinal e Roddick na decisão.
No feminino, uma italiana meio desengonçada arrasou o saibro de Roland Garros. Francesca Schiavone, prestes a completar 30 anos, garantiu o primeiro Slam da carreira. Modesta, diga-se de passagem, já que aquele foi somente o quarto título em 12 anos de profissionalismo.
Baby, comeback
Rei do saibro no início dos anos 90, Thomas Muster estarreceu o mundo do tênis ao anunciar o retorno ao circuito. Aos 43 anos, Muster voltou no Challenger de Braunschweig, mas não teve bom desempenho: uma vitória em nove jogos.
Na WTA, Justine Henin cansou da aposentadoria e voltou a empunhar a raquete. Dois títulos, em Stuttgart e Hertogenbosch, e uma final de Grand Slam, na Austrália, foram os principais momentos de 2010 para a belga.
E o Brasil?
Os pontos altos da temporada do tênis brasileiro foram, por ordem cronológica, o título de Tiago Fernandes no Australian Open Juvenil - tornando-se o primeiro brasileiro a ocupar a liderança do ranking de garotos - e a taça de Thomaz Bellucci no ATP 250 de Santiago.
Mas Bellucci, no decorrer do ano, perdeu o pique. Os resultados minguaram, assim como as boas exibições. Como no futebol, sobrou pro técnico: João Zwetsch foi dispensado, e Larri Passos passará a cuidar dos treinos do número 31 da ATP.
Os outros brazucas também não brilharam. Ricardo Mello, Marcos Daniel, João Souza e Júlio Silva tentaram a sorte em challengers, mas nada que chegasse a entusiasmar.
O mico do ano veio na repescagem do Grupo Mundial da Copa Davis. Tudo bem, a disputa contra a Índia aconteceu na quadra dura asiática, mas as derrotas de Mello e Bellucci para Bopanna e Devarmann no dia 3 do confronto foram facadas no coração da torcida brasileira. Estava perdida a melhor chance dos últimos anos para retornar à elite.