terça-feira, 14 de dezembro de 2010

2010 em revista - Golfe


Era 1996 quando aquele garoto de assombroso desempenho enquanto amador aderiu ao profissionalismo. No primeiro ano oficial de PGA Tour, Tiger Woods conquistou dois títulos. Desde então, soma 71 conquistas apenas na turnê norte-americana, sendo o terceiro maior vitorioso da história, e ainda com muita lenha pra queimar.

Mas 2010 foi, de longe, o pior ano da carreira (e, talvez, da vida) de Tiger Woods. Os escândalos familiares foram os propulsores do fracasso. Pela primeira vez em 15 anos, nenhum título, além da modestíssima 68ª posição na temporada do PGA. Com isso, 2010 trouxe à baila novos nomes e resgatou velhos conhecidos.

Derrocada do mito

Em novembro de 2009, Tiger Woods colidiu o carro que dirigia contra um hidrante. O saldo físico foi de apenas alguns arranhões e ferimentos leves, mas a motivação do caso foi milhões de vezes mais grave.

Começava a terminar naquele momento o casamento de seis anos com Elin Nordegren, modelo sueca com quem teve dois filhos. O motivo foi a descoberta das inúmeras traições de Tiger mundo afora, incluídas no caso algumas prostitutas. Apesar de ficarem juntos por mais alguns meses, o divórcio foi sacramentado em agosto deste ano.

Consequência: 12 torneios oficiais disputados, nenhuma vitória. Os melhores resultados vieram em dois Majors, o Masters e o US Open, tendo sido o quarto colocado em ambos. Muito pouco pra quem sempre esteve acostumado aos triunfos.

Pra piorar ainda mais o panorama, Tiger perdeu a liderança do ranking mundial para o inglês Lee Westwood.

Uma barbada, três surpresas

Quase, quase, Phil Mickelson também não amargou um ano vazio de títulos. Mas o único conquistado valeu bastante: pela terceira vez, o "Lefty" faturou o Masters de Augusta. Dessa vez, graças a uma excelente última volta, na qual superou o líder de sábado, Lee Westwood, e terminou três tacadas à frente.

A segunda parada foi em Pebble Beach, para o US Open. Quem se consagrou foi o norte-irlandês Graeme McDowell, possivelmente o melhor jogador do mundo em 2010. Num campo dificílimo, foi o único a não terminar os 72 buracos acima do par.

Aconteceu no British Open a maior zebra dos majors em 2010. E, bem condizente, uma zebra sul-africana. Louis Oosthuizen liderou o "Open", jogado em St. Andrews, do início ao fim, sem ser ameçado em nenhum momento. Ficou sete tacadas à frente do vice-campeão, que foi... Lee Westwood, novamente!

Depois de uma quarta volta maluca, o PGA Championship laureou mais um europeu, dessa vez o alemão Martin Kaymer. Além do campo de Whistling Straits, Kaymer teve que superar a torcida, que apoiou Dustin Johnson e Bubba Watson até o final.

Mundo dos velhos

O País de Gales foi o palco da Ryder Cup e, jogando em casa, a equipe europeia buscava a recuperação, já que os norte-americanos haviam levado a edição de 2008. Tarefa que se mostrou bastante difícil, dado o equilíbrio e o alto nível dos atletas.

O ponto que decidiu a disputa, que vinha empatada em 13,5, veio do confronto final de matchplay individual. Graeme McDowell derrotou Hunter Mahan e o Celtic Manor se transformou numa grande festa.

Grandes figuras

A Fedex Cup, que premia o melhor da temporada, foi para Jim Furyk, com três títulos no ano. Quem também voltou aos bons momentos foi Ernie Els, com dois troféus. Por outro lado, Vijay Singh parece ter entrado em declínio, passando em branco pelo segundo ano seguido.

Sem o mesmo brilho de outros tempos, David Duval, no entanto, teve motivos para sorrir. Na melhor temporada desde 2002, o campeão de 2001 do British Open fez dois top-10 e quatro top-25, assegurando o cartão de 2011.

E o Brasil estará lá

A melhor notícia para o golfe brasileiro veio já em dezembro. Jogando a etapa final do Q-School do PGA Tour, Alexandre Rocha teve problemas nas três primeiras voltas, e parecia estar fora da disputa pelo cartão de isenção para 2011 da turnê mais rica do golfe mundial.

Mas três rodadas seguidas jogando -4 fizeram com que o paulista alcançasse o 22º lugar, suficiente para fazer história: no ano que vem, será o segundo brasileiro a competir integralmente no PGA Tour, primeiro depois de Jaime Gonzalez, esse na década de 80.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

2010 em revista - Tênis


Quem gosta de tênis sabe: somos privilegiados por acompanhar passo a passo as carreiras de Rafael Nadal e Roger Federer.

Vazando a atmosfera nostálgica que cerca muitos adeptos - esses preferem exaltar a época de Sampras, Agassi, Muster, Becker, Edberg, ou a anterior, com McEnroe, Borg, Lendl e outros - pode-se chegar à conclusão de que os atuais líderes do ranking mundial são os melhores tenistas da história. 2010 confirmou essa condição.

Avassalador

Ele é uma máquina. Raramente falha. Se passa por um período sem lesões, torna-se quase imbatível. Apesar de não ter o reconhecimento pleno do público e dos especialistas, Nadal é um gênio das raquetes.

O único a vencer três Grand Slams seguidos havia sido o australiano Rod Laver, em 1969, quando o tênis ainda se acostumava ao profissionalismo. As taças em Roland Garros, Wimbledon e Nova Iorque, aliás, fizeram do espanhol o único a ganhar slams em três pisos diferentes na mesma temporada.

Não mexam com a fera

Se Federer tivesse chegado às finais desses torneios, quem sabe, as estatísticas poderiam ser outras. A verdade é que o suíço perdeu o véu da perfeição. Derrotas inesperadas para, respectivamente, Soderling, Berdych e Djokovic, chegaram até mesmo a ofuscar a conquista do Aberto da Austrália.

Mas se engana quem pensa que Federer iniciou a parábola descendente da carreira. Prova disso foi o desempenho intocável que teve na Masters Cup de Londres, não tomando conhecimento dos principais rivais. Ele estará forte, mais uma vez, em 2011.

Trio parada-dura

Eles não ganharam Grand Slams, mas, de vez em quando, incomodaram Nadal e Federer. Novak Djokovic, Andy Murray e Robin Soderling se consolidaram como atletas de ponta, que estão prontos para aproveitar qualquer brecha deixada pelos campeoníssimos.

O sérvio liderou o país na campanha do inédito título da Copa Davis. Já o inglês viveu dois momentos de maior destaque: as conquistas dos Masters 1000 de Toronto e Xangai. Por fim, o sueco cravou o Masters 1000 de Paris, primeiro da carreira.

Liderança improvável

Caroline Wozniacki terminou a temporada na primeira posição do ranking feminino. Mas o que chama a atenção nessa dinamarquesa, além dos traços gentis, é o fato de ter obtido essa condição sem chegar a uma única final de Grand Slam.

Caso diverso de Vera Zvonareva. A russa foi vice em Wimbledon e no US Open, assumindo o segundo lugar da lista da WTA. A belga Kim Clijsters, apesar dos altos e baixos, faturou o US Open e saltou para o terceiro lugar.

Zebras? Sempre.

Mesmo com o domínio dos Top-10, houve ocasiões em que intrusos surpreenderam. A mais marcante delas foi a vitória de Ivan Ljubicic em Indian Wells, passando por Nadal na semifinal e Roddick na decisão.

No feminino, uma italiana meio desengonçada arrasou o saibro de Roland Garros. Francesca Schiavone, prestes a completar 30 anos, garantiu o primeiro Slam da carreira. Modesta, diga-se de passagem, já que aquele foi somente o quarto título em 12 anos de profissionalismo.

Baby, comeback

Rei do saibro no início dos anos 90, Thomas Muster estarreceu o mundo do tênis ao anunciar o retorno ao circuito. Aos 43 anos, Muster voltou no Challenger de Braunschweig, mas não teve bom desempenho: uma vitória em nove jogos.

Na WTA, Justine Henin cansou da aposentadoria e voltou a empunhar a raquete. Dois títulos, em Stuttgart e Hertogenbosch, e uma final de Grand Slam, na Austrália, foram os principais momentos de 2010 para a belga.

E o Brasil?

Os pontos altos da temporada do tênis brasileiro foram, por ordem cronológica, o título de Tiago Fernandes no Australian Open Juvenil - tornando-se o primeiro brasileiro a ocupar a liderança do ranking de garotos - e a taça de Thomaz Bellucci no ATP 250 de Santiago.

Mas Bellucci, no decorrer do ano, perdeu o pique. Os resultados minguaram, assim como as boas exibições. Como no futebol, sobrou pro técnico: João Zwetsch foi dispensado, e Larri Passos passará a cuidar dos treinos do número 31 da ATP.

Os outros brazucas também não brilharam. Ricardo Mello, Marcos Daniel, João Souza e Júlio Silva tentaram a sorte em challengers, mas nada que chegasse a entusiasmar.

O mico do ano veio na repescagem do Grupo Mundial da Copa Davis. Tudo bem, a disputa contra a Índia aconteceu na quadra dura asiática, mas as derrotas de Mello e Bellucci para Bopanna e Devarmann no dia 3 do confronto foram facadas no coração da torcida brasileira. Estava perdida a melhor chance dos últimos anos para retornar à elite.