
Era 1996 quando aquele garoto de assombroso desempenho enquanto amador aderiu ao profissionalismo. No primeiro ano oficial de PGA Tour, Tiger Woods conquistou dois títulos. Desde então, soma 71 conquistas apenas na turnê norte-americana, sendo o terceiro maior vitorioso da história, e ainda com muita lenha pra queimar.
Mas 2010 foi, de longe, o pior ano da carreira (e, talvez, da vida) de Tiger Woods. Os escândalos familiares foram os propulsores do fracasso. Pela primeira vez em 15 anos, nenhum título, além da modestíssima 68ª posição na temporada do PGA. Com isso, 2010 trouxe à baila novos nomes e resgatou velhos conhecidos.
Derrocada do mito
Em novembro de 2009, Tiger Woods colidiu o carro que dirigia contra um hidrante. O saldo físico foi de apenas alguns arranhões e ferimentos leves, mas a motivação do caso foi milhões de vezes mais grave.
Começava a terminar naquele momento o casamento de seis anos com Elin Nordegren, modelo sueca com quem teve dois filhos. O motivo foi a descoberta das inúmeras traições de Tiger mundo afora, incluídas no caso algumas prostitutas. Apesar de ficarem juntos por mais alguns meses, o divórcio foi sacramentado em agosto deste ano.
Consequência: 12 torneios oficiais disputados, nenhuma vitória. Os melhores resultados vieram em dois Majors, o Masters e o US Open, tendo sido o quarto colocado em ambos. Muito pouco pra quem sempre esteve acostumado aos triunfos.
Pra piorar ainda mais o panorama, Tiger perdeu a liderança do ranking mundial para o inglês Lee Westwood.
Uma barbada, três surpresas
Quase, quase, Phil Mickelson também não amargou um ano vazio de títulos. Mas o único conquistado valeu bastante: pela terceira vez, o "Lefty" faturou o Masters de Augusta. Dessa vez, graças a uma excelente última volta, na qual superou o líder de sábado, Lee Westwood, e terminou três tacadas à frente.
A segunda parada foi em Pebble Beach, para o US Open. Quem se consagrou foi o norte-irlandês Graeme McDowell, possivelmente o melhor jogador do mundo em 2010. Num campo dificílimo, foi o único a não terminar os 72 buracos acima do par.
Aconteceu no British Open a maior zebra dos majors em 2010. E, bem condizente, uma zebra sul-africana. Louis Oosthuizen liderou o "Open", jogado em St. Andrews, do início ao fim, sem ser ameçado em nenhum momento. Ficou sete tacadas à frente do vice-campeão, que foi... Lee Westwood, novamente!
Depois de uma quarta volta maluca, o PGA Championship laureou mais um europeu, dessa vez o alemão Martin Kaymer. Além do campo de Whistling Straits, Kaymer teve que superar a torcida, que apoiou Dustin Johnson e Bubba Watson até o final.
Mundo dos velhos
O País de Gales foi o palco da Ryder Cup e, jogando em casa, a equipe europeia buscava a recuperação, já que os norte-americanos haviam levado a edição de 2008. Tarefa que se mostrou bastante difícil, dado o equilíbrio e o alto nível dos atletas.
O ponto que decidiu a disputa, que vinha empatada em 13,5, veio do confronto final de matchplay individual. Graeme McDowell derrotou Hunter Mahan e o Celtic Manor se transformou numa grande festa.
Grandes figuras
A Fedex Cup, que premia o melhor da temporada, foi para Jim Furyk, com três títulos no ano. Quem também voltou aos bons momentos foi Ernie Els, com dois troféus. Por outro lado, Vijay Singh parece ter entrado em declínio, passando em branco pelo segundo ano seguido.
Sem o mesmo brilho de outros tempos, David Duval, no entanto, teve motivos para sorrir. Na melhor temporada desde 2002, o campeão de 2001 do British Open fez dois top-10 e quatro top-25, assegurando o cartão de 2011.
E o Brasil estará lá
A melhor notícia para o golfe brasileiro veio já em dezembro. Jogando a etapa final do Q-School do PGA Tour, Alexandre Rocha teve problemas nas três primeiras voltas, e parecia estar fora da disputa pelo cartão de isenção para 2011 da turnê mais rica do golfe mundial.
Mas três rodadas seguidas jogando -4 fizeram com que o paulista alcançasse o 22º lugar, suficiente para fazer história: no ano que vem, será o segundo brasileiro a competir integralmente no PGA Tour, primeiro depois de Jaime Gonzalez, esse na década de 80.
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