terça-feira, 29 de março de 2011

Bate-pronto - GP da Austrália

- Quando um carro espetacular se alia a um piloto de grande qualidade, forma-se uma aglutinação vencedora. É o caso do casal RBR7 + Sebastian Vettel.

- Sim, reafirmo: o campeonato acaba com três (ou mais) corridas de antecipação e um novo bicampeão.

- Se Webber não se aposentar por vontade própria ao fim do ano, a Red Bull fará isso por ele.

- A terceira colocação de Petrov (aliás, vale esses parênteses. O russo é um pouco subestimado, inclusive por mim. Apesar de ter rompantes de pilotagem amadora, ele consegue ser rápido mais vezes do que imaginamos) mostra que, se Kubica estivesse na pista, seria uma ameaça, ainda que tímida, à iminente hegemonia rubrotaurina.

- Carrinho meia-boca, esse da Ferrari.

- Massa deu início à sua última temporada na equipe italiana, aliás.

- Barrichello pode fazer boas corridas em 2011, desde que não queira ganhar posições à base de fórceps, como tentou contra Rosberg.

- Elegi a minha equipe favorita para esta época: a Sauber dos legais Kobayashi e Pérez.

- Ninguém está nem aí pra essa história de asa móvel, KERS e blábláblá. São medidas que podem ter alguma lógica, mas não caíram, nem cairão no gosto do público.

segunda-feira, 28 de março de 2011

É um mero detalhe...

Carlos Alberto Parreira disse, certa vez, que o gol era mero detalhe. Se já tinha fama de ser retranqueiro, o estigma só aumentou depois dessa.

Mas o que ele queria dizer é: às vezes, fazer o gol é apenas uma parte de um trabalho maior. Em outras palavras, não é o gol que vai definir a qualidade do time/elenco/jogador.

O mesmo raciocínio se aplica ao centésimo gol de Rogério Ceni, anotado ontem na vitória são-paulina diante do maior rival, Corinthians.

É evidente que a importância estrita desse gol para o jogo foi gigantesca, já que o confronto estava equilibrado, mesmo com o placar já favorável ao Tricolor. Além disso, há que se lembrar: foi o primeiro gol de falta de RC no Timão.

Só que, mesmo pensando em termos globais, o número "100" não é o mais importante, e imagino que o torcedor são-paulino saiba disso.

Os feitos alcançados por Rogério Ceni em quase 15 anos como goleiro titular do clube do Morumbi são maiores do que uma marca pessoal.

A Libertadores e o Mundial de 2005, três Brasileiros consecutivos, três Paulistas e deve haver outros troféus. Marcando gols em todos eles e sendo decisivo também debaixo dos três paus e fora das quatro linhas, como líder do elenco.

Há quem questione determinadas posturas de Rogério Ceni, como sempre questionar as marcações dos árbitros, sempre se adiantar nas cobranças de pênalti alheias, entre outras. Algumas declarações sobre temas que escapam do futebol também fazem parte da lista de polêmicas do goleiro.

O que não gera polêmica, nem entre os xiitas, é o reconhecimento dele como figura que enriquece a história do futebol brasileiro.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Esportes-Push, Belucci ridículo

Esportes-Push é o termo que encontrei para definir os posts curtinhos, para fazer constar a informação mais rápido.

Esse é sobre o papelão, mais um, de Thomaz Bellucci. Perdeu de virada para James Blake no Masters 1000 de Miami, 2-6, 6-4, 7-6.

Vai sair do top-30 e vai permanecer com o status de inofensivo, no que diz respeito aos grandes torneios.

Mico ou solução?

Aproxima-se o momento da confirmação oficial da contratação de Adriano pelo Corinthians. A imprensa esportiva já divulgou que o contato está assinado, faltando apenas definir os detalhes da apresentação do jogador.

Que poderá se transformar em um grande mico ou num reforço fora de série.

Analisando o histórico recente, digamos, de um ano para cá, o Imperador é um mau negócio. Jogou poucas vezes na Roma e não marcou um gol sequer. Antes apresentado com pompa pela presidente Rosella Sensi, saiu pela porta dos fundos, com o contrato rescindido.

Mas é mais fácil recuperar a parte técnica de um jogador do que ajustar o mau comportamento dele fora das quatro linhas. E a última passagem de Adriano pelo futebol brasileiro, no Flamengo, ficou manchada pelas faltas injustificadas em treinos, festinhas polêmicas e até um suposto envolvimento com traficantes do Rio de Janeiro.

Quem poderia estar disposto a trazer para um balneário calmo e estável, como o do Corinthians, um atleta-problema? Andrés Sanchez, faça-se justiça, nunca esteve convicto sobre essa contratação. Mas o grupo Hypermarcas, patrocinador majoritário do clube alvinegro, bateu o martelo, garantindo o salário de Adriano. Sem se esquecer, contudo, de fechar a negociação por meio de um contrato de risco, isto é: pisou na bola, multa, suspensão ou, até, rescisão.

O potencial do centroavante ficará, ao menos num primeiro momento, em segundo plano. As boas passagens pela Inter de Milão e São Paulo são pequeno alento para a torcida, que não irá poupá-lo se novos escândalos surgirem.

Que os ares paulistanos refresquem os neurônios do Imperador.

Um dia, nenhuma conclusão

Acompanhei ao vivo os Treino Livre 1 para o GP da Austrália. Dormi antes do começo do segundo, natural, ainda mais porque o SporTV estava fora do ar por aqui.

Do que vi, parecia muito evidente a soberania dos carros da Red Bull. Webber e Vettel fizeram 1-2, enquanto Alonso, o mais próximo, ficou a 0,6 do tempo do alemão.

Mas, de repente, não mais do que de repente, a McLaren tratou de dar um pito nas bocas que maldiziam o carro prateado. Com a pista melhor, os tempos baixaram nos Treino Livre 2. Quem aproveitou foi a dupla-dinâmica inglesa, com Button à frente de Hamilton.

A verdade é: impossível prever o que vai acontecer na classificação. Nem mesmo o Treino Livre 3 vai antecipar a resposta que todos querem saber: afinal, quem tem o melhor carro da F-1, ao menos na primeira etapa de 2011?

quinta-feira, 24 de março de 2011

Um campeonato para dois

É óbvio que é prematuro prognosticar sobre uma competição que terá 19 etapas (20?) e se estenderá por quase 9 meses.

Mas jornalistas carecem de dar a cara ao tapa, senão não teriam muita função, especialmente no meio esportivo.

Por isso, vamos falar da temporada da F-1 que começa hoje, com os treinos livres para o GP da Austrália.

1) Pegue a Red Bull quem for capaz - além de ter liderado boa parte dos testes da pré-temporada, a atual campeã de equipes e pilotos, especula-se, pode ter andado com mais combustível nos tanques do que as rivais. Se isso for verdade, a coroa de rei de 2011 estará destinada a um dos dois membros do clã austríaco, Vettel (digamos, com 75%) e Webber (25%, pois).

2) Prima ascendente - a Toro Rosso não fez nada que tenha prestado em 2009 e 2010, depois de um excepcional 2008, com direito a pole e vitória de Vettel na Itália. Mas, certamente graças ao grande trabalho de Adrian Newey e seus blue caps, parece ter acertado a mão dessa vez. Pode fazer um papel bom, no nível de Mercedes e McLaren, com otimismo, ou Lotus Renault, sendo realista.

3) Ano decisivo para os brasileiros - se não for competitivo (leia-se: andar bem mais próximo ou à frente de Alonso), Massa terá que procurar equipe para 2012. Ele sabe disso e, acho, vai cumprir um papel melhor do que no ano passado. Barrichello parece confortável na Williams, mas, como os 40 anos se aproximam, nunca se sabe se a motivação será a mesma, e se haverá vontade de permanecer na temporada posterior.

4) Temporada chatinha, chatinha - esse é puro chute. Acho que teremos poucas emoções em 2011, com domínio amplo da Red Bull e uma tentativa meio inócua da Ferrari de se aproximar. A conferir.

Amanhã falo sobre os palpites para a classificação e para a corrida.

Jogos memoráveis e Libertadores, um case de sucesso

A bola pinga na grande área, Deco chega rápido, superando o beque mexicano, dá um toque leve e letal, que deixa o goleiro sem qualquer reação. O Fluminense faz 3 a 2, numa virada tão dramática quanto necessária, pois manteve o Tricolor como candidato a uma das vagas na próxima fase da Copa Libertadores da América 2011.

É a emoção que os torcedores do Fluzão sentiriam ao ler o parágrafo acima que norteia o maior torneio de clubes da América do Sul.

Pergunte aos torcedores que já acompanharam os respectivos times na Libertadores se já vivenciaram momentos semelhantes e mil histórias virão à tona.

Particularmente, tenho fresca uma experiência na edição de 2006, um jogo também da primeira fase.

O Corinthians, como de costume, vivia um momento complicado e precisava derrotar a Universidad Católica fora de casa. Até ali, uma vitória, um empate, uma derrota. Outro fiasco e a eliminação já estaria à porta corintiana.

Foram 90 minutos inesquecíveis, uma gangorra de emoções indescritível. Com dois jogadores expulsos e um péssimo goleiro, o nada saudoso Jhonny Herrera, Nilmar e Tevez deram um show e garantiram um 3 a 2 lindo.

No final das contas, algumas, ou, talvez, a maior parte dessas vitórias não se converta em campanha campeã. Mas, como disse algum sábio por aí, não se vive apenas de títulos. Futebol é, primariamente, um jogo de emoções.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Um novo calendário, por um novo futebol

É inaceitável que quase 40% da temporada do futebol brasileiro seja dedicada a campeonatos que não tem nenhuma utilidade. O atual formato, que prevê quatro meses para a disputa dos estaduais, vai de encontro à tendência de modernização do esporte.

Por isso, com toda a liberdade que permite a internet, proponho um calendário diferente, mais adequado à realidade do futebol, inclusive mundialmente.

1) Adequação ao calendário europeu - não vamos ser ufanistas. Muitos dizem que o Brasil não deve se submeter ao que fazem os outros países, mas, nesse caso, seria a melhor alternativa. Com os campeonatos começando no segundo semestre de um ano e terminando no primeiro semestre do ano seguinte, a temida "janela de transferências" não traria discrepâncias ao Brasileirão, visto que os atletas sairiam antes do início da competição, e não no meio dela.

2) Modificação na Copa do Brasil e competições sul-americanas - não há sentido em espremer uma competição nacional em quatro ou cinco meses. Como já acontece nos principais redutos do futebol mundial, a Copa do Brasil deveria durar toda a temporada, classificando o campeão para a Libertadores e o vice para a Sul-Americana. Aliás, a participação nas duas competições continentais deixariam de impedir a presença dos clubes na Copa do Brasil, e elas também passariam a ocorrer num período similar ao da Uefa Champions League e da Europe League.

3) Extinção dos torneios estaduais e regionais - eles já foram os mais importantes, mas por que negar que não possuem mais utilidade? Ao contrário do que se pensa, os clubes pequenos, do interior, não morreriam. Passariam a jogar uma das divisões regionais do Campeonato Brasileiro, como acontece em países como Alemanha e Inglaterra. Assim, a quinta divisão equivaleria ao Paulista, sem os grandes e médios clubes.

Utopia ou não, me parece uma proposta mais adequada à realidade do futebol moderno do que o modelo que temos em vigor.

Palmas para o nº2

Novak Djokovic era o número 3 do mundo, agora é o número 2, e poderá, em breve, chegar ao número 1.

A vitória sobre Rafael Nadal na final do Masters 1000 de Indian Wells marcou uma das mais incríveis reações de um tenista num jogo decisivo nesses últimos anos.

O único erro do sérvio foi o início lento, quase modorrento. Mas, em outras épocas, sair perdendo o primeiro set para o espanhol era sinônimo de derrota. Dessa vez, não.

A intensidade de "Nole" no segundo e no terceiro sets foi de impressionar. Atacando de forehand, de backhand, sacando muito melhor que o adversário e, volta e meia, subindo à rede para matar os pontos com curtinhas.

4-6, 6-3, 6-2 e Djokovic ratificou a condição de melhor jogador de tênis de 2011, até aqui.

sexta-feira, 18 de março de 2011

F-V. De "vergonha".

O automobilismo não vive apenas da nata, do glamour e da competição em alto nível. Alguns micos são difíceis de engolir, e o mais evidente deles, no cenário atual, é essa GP2 Asia.

É certo que o campeonato serve de preparação para as equipes que disputarão a temporada regular da GP2, mas a bagunça é tão grande que tenho muitas dúvidas sobre a real eficácia desse certame.

Duas rodadas, quatro provas e, voilà, temos um campeão. O primeiro final de semana de competição aconteceu nos Emirados Árabes Unidos. Jules Bianchi, pupilo da Ferrari, foi o piloto que marcou mais pontos, somando as duas etapas de Abu Dhabi.

Eis que a decisão desta bagaça está programada para o final de semana que se avizinha, com corridas disputadas em... Imola! Isso mesmo. Uma categoria asiática terá seu encerramento num circuito europeu.

Tudo bem, a programação original era outra, e previa outras duas rodadas, e não uma, e no Bahrein. Mas os mesmos conflitos civis que levaram ao cancelamento da prova da F-1 impediram a realização das etapas da GP2 Asia.

Mesmo assim, é evidente a péssima organização da categoria. Equivale ao Torneio Rio-São Paulo que foi realizado entre 1993 e 2001, com meia dúzia de jogos, sem apelo popular e com pouco interesse dos clubes. Felizmente, teve vida curta.

E também não vejo outro fim para essa categoria mequetréfe.

UCL e EL - Confrontos finais

Uefa Champions League

Real Madrid x Tottenham - sou altamente suspeito para palpitar aqui, tendo em vista meu apreço pelo clube londrino. Mas, friamente falando, o elenco merengue tem mais qualidade. As chances do Tottenham passam por um período de instabilidade de Cristiano Ronaldo e, paralelamente, a recuperação plena de Bale, física e tecnicamente. Sangra-me o peito, mas minha aposta é no Real Madrid.

Barcelona x Shakhtar Donetsk - quem tem Xavi, Iniesta e Messi no mesmo time sempre será favorito. É, por outro lado, perigoso descartar as hipóteses do conjunto ucraniano, que tem na qualidade dos jogadores brasileiros sua maior força. Um empate ou uma derrota por pequena diferença na Espanha poderá apimentar a partida da volta, mas, é claro, o Barcelona ainda tem mais chances.

Internazionale x Schalke 04 - eis o confronto, em teoria, de mais fácil prognóstico. Os alemães chegaram até as quartas-de-final como equipe mais fraca entre as oito, e, mesmo fazendo o segundo jogo em Gelsenkirschen, é grande zebra. Neuer terá trabalho para frear o ímpeto de Maicon, Sneijder e, sobretudo, Eto'o. Aqui, a classificação da Inter é pule de dez.

Chelsea x Manchester United - ao contrário do que os colegas da imprensa vêm dizendo, não considero esse confronto equilibrado. Mesmo sem apresentar o mesmo brilho de outras temporadas, o Manchester United vive fase bastante superior à dos adversários. Em clássicos, tudo é possível, mas acho difícil que o Chelsea surpreenda. Dá Manchester.

Europa League

Villareal x Twente - tudo bem que o Twente veio da Champions, eliminou um bom time, o do Zenit St.Petesburg, mas não apontar o Submarino Amarelo como favorito seria menosprezar a equipe que tem apresentado o melhor futebol da competição. Passa Villareal.

Porto x Spartak Moscou - tido por muitos como melhor time do torneio, esse Porto ainda não me convence. Ao contrário da esquadra russa, capitaneada pelos brasileiros Alex e Welliton, dona de um futebol muito agradável. Supresa ou não, acho que o Spartak segue.

Braga x Dynamo Kiev - responsáveis pela eliminação das potências inglesas Liverpool e Manchester City, fazem um confronto que considero nem tão equilibrado assim. Apesar dos méritos de ter chegado até aqui, o time do Braga parece ser de qualidade inferior à do meu favorito, o Dynamo.

Benfica x PSV - muita história, nem tanto futebol. Depois de bater na trave em 2010, o Benfica, ao menos, chega com foco total na competição européia, já que está a milhas de distância do Porto no campeonato nacional. Por isso, aposto no Benfica, já que o PSV ainda briga - e lidera a caçada - pelo título holandês.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Função típica

Nas aulas de Direito Constitucional do curso prepatório para concursos públicos, aprendemos que os Poderes tem suas funções típicas, ou seja, aquelas que são naturalmente previstas para a respectiva competência. Existem também as funções atípicas, que são exceções.

Fazendo um paralelo com o mundo do tênis, podemos dizer que a função típica de Thomaz Bellucci é lutar para ganhar de adversários médios e sofrer quando enfrenta jogadores do top 20.

A derrota para Tomas Berdych, no Masters 1000 de Indian Wells, foi sintomática. Muitos erros não-forçados, falta de intensidade nos pontos longos, dificuldade extrema nos pontos em que não encaixou o primeiro saque. O 6-3, 6-2 deu a medida exata da superioridade do tcheco.

Os momentos atípicos acontecem na carreira do brasileiro, mas são pontuais. O que está mais fresco na memória é a vitória contra Fernando Verdasco no ATP 500 de Acapulco. Em 2010, o grande destaque foi o triunfo sobre Fernando Gonzalez no ATP 250 de Santiago, ou seja, na casa do adversário. Ressalte-se, porém, que o chileno já enfrentava problemas físicos sérios.

Inegavelmente, Bellucci tem qualidades, mas não basta vencer um ou dois jogos difíceis para se tornar um tenista respeitável. É necessário ter regularidade, grande calcanhar de aquiles do paulista desde que ganhou os holofotes do tênis brasileiro.