sábado, 30 de abril de 2011

São Paulo x Santos - talento, sempre ele

Aí o tal de Ganso resolveu jogar bola.

Um cruzamento magnífico para Elano abrir o placar.

Um passe sensacional para Neymar fazer fila e devolver o presente, para que o camisa 10 balançasse as redes e definisse o jogo.

Joga muita bola. E é um alento perceber que ainda existe talento no futebol brasileiro.

Ele sempre desequilibrará.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Raquetes penduradas

Confesso: sempre torci muito por Marcos Daniel. Mais, até, do que faço com Bellucci. A explicação provavelmente está no fato de que o gaúcho de 32 anos sempre focou muito na ascensão da carreira, muito treino, muita obstinação, muito foco. Não vejo o mesmo empenho no nosso atual número 1, mas, bem, isso não é papo para este post.

Que é, na verdade, um registro. Do dia em que "Marquito" anunciou a aposentadoria do tênis profissional. O moço de Passo Fundo (RS) ainda jogará em Roland Garros, já que tem ranking para tal, e, talvez, um challenger na Colômbia, onde é considerado rei, graças aos muitos títulos lá obtidos.

É o típico caso em que o profissional não consegue mais se dedicar à respectiva atividade. Não por falta de interesse ou motivação, mas de aptidão física. Daniel teve várias lesões nos últimos anos, e optou por pendurar as raquetes ao invés de forçar a barra. Sabe que, se tentasse seguir, os resultados não viriam, mas as cobranças estariam lá. Decisão, pois, acertada.

A melhor posição de Marcos Daniel no ranking foi a 56ª, em setembro de 2009. Não conseguiu o grande objetivo de levar o Brasil de volta à elite da Copa Davis. Nem por isso terá uma mancha no currículo. É verdade que nunca chegou a níveis mais altos de competição, mas dentro do que tinha a oferecer, cumpriu muito bom papel.

Parabéns e obrigado, Marquito.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Prós e contras - Paulistão

Agora a oncíssima vai beber água, diria o excelente Paulo Cleto.

O Paulistão chegou ao momento em que os jogos realmente valem alguma coisa. E os quatro gigantes serão os protagonistas.

Vamos, sem rodeios, falar o que eles têm de melhor e de pior.

São Paulo

Prós: é o time mais rápido dos quatro. Jean, Juan, Lucas, Dagoberto e Marlos são imparáveis quando estão inspirados. Rogério Ceni vive boa fase, tanto embaixo dos paus quanto nas cobranças de falta. A bola parada é perigosíssima, sobretudo quando Rodolpho está na área.

Contras: Rodrigo Souto e Carlinhos Paraíba não primam pela velocidade, o que pode dificultar a vida do setor defensivo quando encontra um ataque rápido e que toca bem a bola, como é o caso do Santos.

Santos

Prós: sobra em relação aos demais quando o assunto é técnica. Elano, Ganso e Neymar formam um trio capaz de atormentar qualquer defesa (qualquer uma mesmo). Muricy, apesar da fama de não convencer em mata-mata, já faturou um Paulistão nesse sistema e parece ter bom relacionamento com o elenco.

Contras: a zaga é uma calamidade, sobretudo nas bolas aéreas. Falta um companheiro mais qualificado para Neymar no comando de ataque, pois Keirrison não consegue convencer. O goleiro Rafael ainda precisa ser testado em jogos decisivos.

Palmeiras

Prós: tem, por incrível que pareça, o conjunto mais harmônico dos quatro. O ataque dificilmente passa em branco e a defesa é a melhor do campeonato. Juntos, Kléber e Valdívia desestabilizam a marcaçao adversária e, inclusive, cavam expulsões dos seus perseguidores.

Contras: nos últimos dez anos, ganhou apenas dois títulos (sendo um deles a Série B do Brasileirão, em 2003), fator que pesará, especialmente para a torcida, que não hesitará em mostrar insatisfação no caso de um resultado adverso durante os jogos.

Corinthians

Prós: conta com o homem-gol mais eficiente do campeonato, Liedson. Ralf ajuda a guarnecer uma defesa competente, enquanto Paulinho chega à frente para auxiliar o quarteto ofensivo, garantindo um bom dinamismo ao conjunto.

Contras: má fase de Júlio César, Dentinho e Jorge Henrique, peças importantes nas campanhas de sucesso dos últimos dois anos. Parece faltar um pouco de brilho aos comandados de Tite.

Tudo descrito acima é teoria. Dentro de campo, qualquer coisa pode acontecer. Clichê? Sim. Mas verdadeiro.

sábado, 23 de abril de 2011

Fábrica de talentos?

Eis que leio: Lucas Foresti e Luís Felipe Nasr pontearam a primeira prova do final de semana da F-3 Inglesa em Oulton Park. Parece que são os candidatos mais fortes ao título da categoria que já revelou talentos como Ayrton Senna.

Não faltarão ufanistas que exaltarão a qualidade do automobilismo brasileiro, caso os dois liderem e vençam o campeonato. O problema é que esses e outros pontuais exemplares são evidentes exceções, não representando a realidade do esporte no país.

Ao lado de César Ramos (da World Series), formam uma tríade que poderá chegar às principais categorias do automobilismo sem qualquer influência das ações da Confederação Brasileira de Automobilismo, que parece pouco se lixar para o estado atual do esporte a motor por aqui.

Depois do kart, poucas opções, caríssimas. Não há um trabalho de garimpo de talentos, restringindo o surgimento de pilotos capazes de chegar ao alto nível.

Por isso, é bom olhar com carinho os resultados positivos de nossos representantes pelas pistas mundo afora. Sem, jamais, perder o senso crítico de perceber que pai desse sucesso se chama "acaso".

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Vale mais do que pesa

Copas nacionais são interessantes. Simpáticas, melhor dizendo. Democratizam o futebol, oferecendo aos times pequenos e até, em alguns países, semi-amadores, a chance de conquistar um título importante. Temos exemplos recentes no Brasil, como o Santo André, em 2004, e o Paulista, em 2005.

A Copa do Rei cumpre essa função na Espanha. Mas, na temporada 2010-11, não houve espaço para surpresas. As duas equipes mais cortejadas do planeta não tiveram oposição e chegaram à final, como diria aquele apresentador, "com todos os méritos, com todas as justiças".

E jogaram muito mais pelo valor simbólico do que pelo valor real do título. Ganhar do maior rival é uma delícia em qualquer circunstância. Só que a rivalidade está muito aflorada neste momento. Se o Barcelona está bem perto de conquistar a Liga, a vitória do Madrid na Taça é fundamental para equilibrar os ânimos para os dois confrontos mais importantes: ida e volta da semifinal da Champions League.

Como já disse por aqui, acho o Barça superior ao Real. Acontece que essa final confirmou aquilo que já tinha sido mostrado na época anterior: José Mourinho sabe parar a máquina azul-grená. É capaz de montar times que equilibram o jogo ou, até, superam o Barcelona em termos de chances reais de gol, por exemplo.

Qualquer resultado é possível nas partidas válidas pela competição continental, mas não há dúvida: o confronto, que eu e outros julgava definido antes de ocorrer, parece, agora, mais aberto do que nunca.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

GP da China - Habemus esperança!

Para começo de conversa: não estou manifestando torcida. Torço, sempre, para que os brasileiros tenham bom desempenho, mas não sou nenhum ufanista. Reconheço as virtudes e aponto os defeitos de quem bem entender.

Feita a explicação, posso dizer sem culpa: torci pela vitória de Hamilton e gostei muito. Acho, aliás, que a maior parte das pessoas adota esse tipo de comportamento, o de torcer pelos mais fracos.

Não acho Hamilton pior que Vettel. Diga-se, considero o inglês o melhor da F-1 atualmente.

Mas o nível do carro da Red Bull é tão alto em comparação com os demais que fica a torcida por uma novidade, alguém que represente ameaça, mexa com o líder. Pelo bem da competição esportiva em si.

É parecido com o sentimento que se tem por Rafael Nadal, no tênis, e por Tiger Woods, no golfe. Os que gostam, amam. Os que são indiferentes ou não gostam, torcem contra, numa disputa head-to-head.

A corrida foi interessante. Muitas trocas de posição, estratégias de duas ou três paradas para trocar pneus, enfim, interessante. O circuito de Xangai é bacana, diga-se. No jogo do Xbox 360, por exemplo, é um dos meus favoritos. Gosto dele, sim.

Por tópicos:

- Ainda acho que o destino do campeonato está selado, mas a vitória de Hamilton nos permite sonhar com uma disputa mais rica.

- Qué pása, Fernando? Massa andou no mesmo ritmo de Alonso na Malásia e bem melhor que o espanhol na China. Curioso, sem dúvida.

- Schumacher nunca teve uma temporada tão agitada quanto esta. Abaixo do que se espera, sim, mas bem atuante.

- No próximo GP. o da Turquia, tudo poderá mudar. A temporada européia sempre traz novidades...

sábado, 16 de abril de 2011

GP da China - Dia 2

Não vou mentir. Não vi a classificação da tchurma em Xangai. Preferi dormir, ciente do final de semana longo que terei. Mas os sempre confiáveis relatos do Grande Prêmio me embasam para que eu possa comentar o treino.

Vettel está anos-luz à frente da concorrência, especialmente de seu companheiro, que deve estar a viver alguma espécie de depressão. Se não tiver problemas na largada, vai vencer com mais de 20s de vantagem para o segundo colocado.

Agora, é dever dizer que as brigas internas de McLaren e Ferrari estão ficando interessantes. Menos de 0,05s de diferença entre Button (2º) e Hamilton (3º) e entre Alonso (5º) e Massa (6º) são sinais promissores de bons pegas. O intruso é Rosberg, no primeiro bom papel desempenhado pela Mercedes no ano.

E, finalmente, a Toro Rosso fez jus às expectativas criadas belo ótimo desempenho na pré-temporada. Dois carros no Q3, com Alguersuari (7º) superando Buemi (9º). O bacana di Resta também cumpriu excelente papel com a Force India, ficando em 8º. Petrov, um misto de trapalhão e azarado, nem conseguiu disputar a parte final do treino, graças a um problema no câmbio.

Barrichello faz o que pode com uma sofrível Williams e largará em 15º. Mais uma vez, a Hispania, que, na verdade, ainda está na rabeira, não sofreu a ameaça do 107% - Karthikeyan, o último, ficou 1,5s à frente da linha de corte.

Palpite mantido para a prova: Vettel, Hamilton, Alonso.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

GP da China - Dia 1

- Vettel deve estar parodiando mentalmente a música da minhoquinha. "Uma corridinha, uma vitorinha, duas corridinhas, duas vitorinhas, três corridinhas...". Chances altas do GP da China ser a terceira vitorinha, e o domínio da sexta-feira evidencia isso.

- Webber, por outro lado, já deve estar pensando em caçar cangurus. Porque, nesse ritmo, vai pendurar as luvas no fim do ano.

- A melhor briga é a da dupla da McLaren. Button e Hamilton têm feito bons trabalhos e devem duelar pela segunda posição no grid.

- Será que Massa está, finalmente, equilibrando o jogo com Alonso? À frente do espanhol pela segunda vez seguida nos TL's 1 e 2, mas precisa consolidar o desempenho no final de semana.

- Heidfeld é bom piloto e tal... mas viveu um dia de "old Petrov", escapando, perdendo aerofólio e tempo. Prejuízo, óbvio.

- Até o final do ano a Lotus se classificará, em condições normais, à frente de Williams e/ou Force India. Com Kovalainen, porque Trulli é mais um fora de órbita.

- Virgin foi ultrapassada em rendimento pela Hispania? Xiiiiiiiiiiiii...

- Palpite da classificação: Vettel, Hamilton, Button. Palpite da corrida: Vettel, Hamilton, Alonso.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Oito para dois

Terminadas as quartas de final da Champions League e da Europa League. Ou seja, agora é a hora da onça beber água nas duas competições européias de clubes. Como fiz na fase anterior, vamos aos palpitões.

Barcelona x Real Madrid - ninguém é favorito por acaso. Ambos eram favoritos contra Shakhtar e Tottenham, respectivamente, mas foi mais fácil do que todos supunham: goleadas em casa e vitórias simples como visitantes. E, por um acaso, o maior clássico do mundo será jogado quatro vezes em menos de 20 dias. Se me perguntassem para qual time eu vou torcer, a resposta é rápida: Real Madrid. Mas se a dúvida fosse sobre o time que se classificará, a resposta é fácil: Barcelona.

Manchester United x Schalke 04 - acho que nem o torcedor mais fanático do Schalke suporia que a equipe derrotasse a atual campeã, Inter de Milão, com direito a goleada no Giuseppe Meazza. Só que foi isso mesmo que aconteceu, para, apostem, delírio dos fãs do United, já exultantes com os dois triunfos sobre o Chelsea. Os alemães cumpriram excelente papel até aqui, mas não há dúvida: o Manchester é amplo favorito para chegar à decisão.

Benfica x Braga - ora, pois! Uma semifinal portuguesa, com certeza. Há, visivelmente, mais qualidade no plantel benfiquista, enquanto o Braga prima pela ferrenha aplicação tática. No mosaico de forças, o Benfica parece ter as melhores chances.

Porto x Villareal - para mim, final antecipada. São os melhores times, que eliminaram os rivais mais fortes, e compartilham a vocação ofensiva. Muito equilibrado, mas, por decidir em casa, arrisco no Villareal.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Ê, ô... South Africa!

Se vocês me permitem, lembrei, no título do post, uma das músicas que marcaram a Copa do Mundo de 2010. Período em que a África do Sul foi a capital do esporte mundial, sediando os 64 jogos do primeiro Mundial disputado em continente africano.

Ontem a África do Sul voltou a ficar em evidência no esporte, mas, dessa vez, graças ao golfe. Pela segunda vez em quatro anos, um jogador daquele país venceu o Masters, primeiro major da temporada. O campeão, dessa vez, foi Charl Schwartzel.

História interessante, a desse rapaz. Ele se tornou profissional muito jovem, com 17 anos. Desde então, já faturou sete títulos da turnê européia, mas nunca tinha obtido sucesso no PGA americano.

Schwartzel, na verdade, só se tornou um atleta graças a outro ícone do golfe sul-africano (e mundial), Ernie Els, que o apoiou financeira e esportivamente.

E valeu muito a pena, para ambos.

Com quatro birdies nos últimos quatro buracos da quarta volta, Schwartzel assombrou o golfe. Um espetáculo de habilidade e sangue frio.

Antes dele, o último compatriota a ter vencido o Masters fora Trevor Immelman, em 2008. Vale lembrar que Louis Oosthuizen, outro sul-africano, venceu o British Open de 2010.

sábado, 9 de abril de 2011

Young guns x grizzled veteran

O título do post é uma referência às alcunhas dadas pelo site oficial do PGA Tour na descrição dos jogadores que estarão no campo para o torneio X. Os young guns são os garotões, que ainda estão na casa dos 20 anos, enquanto os grizzled vets são os tios, acima dos 40 anos.

Peço licença para usar os mesmos temos para falar das duas primeiras rodadas do Masters, primeiro major da temporada do golfe. O que se viu no Augusta National foi um grupo de jovenzinhos abalar os veteranos - ou quase todos.

O estado-unidense Rickie Fowler (-5), o australiano Jason Day (-8) e o norte-irlandês Rory McIlroy (-10), colocados no mesmo grupo de quinta e sexta-feiras, arrasaram. Atacaram todos os buracos, buscaram os birdies e foram recompensados com as primeiras posições na tabela. Entrar como um dos líderes do final de semana é essencial para quem tem pretensão de vestir a jaqueta verde, ainda mais no caso desses três, que ainda buscam o primeiro major.

Mas existem três nem tão veteranos dispostos a melar os planos das promessas: Geoff Ogilvy (-6), K.J. Choi (-7) e um certo Tiger Woods (-7). Juntos, têm 85 títulos de torneios do PGA e só Choi ainda não teve o gosto de conquistar um evento-major.

O resultado dessa história eu conto amanhã.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

GP da Malásia - Dia 1

O que mais chamou a atenção nos treinos livres de sexta-feira não foram voltas rápidas, mas sim os acidentes com os carros da Renault. Tanto Petrov quando Heidfeld viram as respectivas suspensões quebrarem, sendo que o russo perdeu o controle do carro e quase teve um acidente mais sério.

Diz a equipe que o problema foi um lote defeituoso de peças, e que as graves falhas não se repetirão. Assim esperamos.

Webber foi o mais rápido nas duas sessões. Mas, vou contar um segredo: o TL 1 não serve de parâmetro para nada. Basta comparar os tempos com os do TL 2 e perceber a discrepância.

Button foi o segundo e comprovou: só a McLaren é capaz de incomodar a Red Bull. E, talvez, incomodar não seja a palavra certa. Acho "fazer cócegas" mais realista.

Massa ficou à frente de Alonso. Barrichello, atrás de Maldonado. Nem a primeira é alivissareira, nem a segunda é alarmante. Mas, de fato, o ferrarista costuma andar bem em Kuala Lumpur, enquanto o número 1 da Williams não tem grande currículo na pista asiática.

Palpite para a classificação: Vettel, Webber, Button. Para a prova, direi amanhã.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

OFF - Dia do Jornalista

A primeira aula de qualquer coisa é um festival de perguntas. Na faculdade, idem. Lembro como se fosse hoje quando o professor Marcelo Lopes, de Introdução ao Jornalismo, me fez a sabatina clássica. Eu tinha 16 anos à época e, para ser sincero, não sabia direito o que estava fazendo ali.

Mas, ao menos, identifiquei o motivo por ter escolhido essa graduação. E citei o episódio que despertou o interesse - 14 de janeiro de 2000, título mundial de clubes do Corinthians, narração absolutamente emocionada e emocionante de Eder Luiz.

Queria ter a oportunidade de presenciar e, de certo modo, participar de eventos tão emocionantes, marcantes, históricos. Também disse, na mesma resposta, que gostava muito de Química. O tal professor ainda fez o brilhante comentário "então por que não fez (vestibular para) Química? Por isso, nunca, dali em diante, fui com a cara dele.

Com o passar dos semestres na faculdade, com a experiência adquirida nas colaborações jornalísticas para sites, com o aprendizado ímpar do estágio, com a plenitude profissional do primeiro emprego e com a modernidade dos trabalhos freelancers (ufa!), oito anos se passaram. E alguns conceitos fazem parte da bagagem.

Nada sobrou dos sonhos da época do início do curso.

Hoje, afirmo tranquilamente que o Jornalismo, no Brasil, é tratado como escória, por todas as partes. Elenco os motivos:

1) Classe desunida - creio que seja algo comum em profissões que envolvem cursos de 3º grau. Com poucas exceções, vale a velha história: se tudo estiver bem comigo, tudo está bom. E vice-versa. Ninguém está nem aí para os aspectos macro da área, querem apenas a inserção no mercado de trabalho.

2) Tratamento vergonhoso dado pelas empresas - este decorre do primeiro. Se a meta genérica é uma vaguinha para não frequentar as fileiras do desemprego, então qualquer oportunidade está de bom tamanho. E esse o momento em que as empresas empregadoras pisam nos jornalistas. O problema mais evidente é a remuneração vergonhosa, sendo, inclusive, muito abaixo do piso estabelecido pelo Sindicato dos Jornalistas (veja aqui). Há casos de jornalistas formados, trabalhando em emissoras de rádio de alto gabarito, recebendo menos de R$ 1 mil. Ou de assessorias de imprensa, em que o assessor cumpre expediente de até nove horas diárias, para receber R$ 1,5 mil. Ultimamente, outro agravante: as empresas não mais registram os funcionários. O pagamento se dá via emissão de nota, o que pinça todos os benefícios inerentes ao regime celetista.

3) Diploma desnecessário - graças à ADPF 130, julgada em 2009 pelo Supremo Tribunal Federal, não existe mais a necessidade de ter um diploma de jornalista (ou estar cursando) para exercer a profissão. O impacto de tal decisão é pouco sentido pelos grandes veículos - inclusive, a maior parte deles não derrubou o requisito para contratar. O impacto foi severo nas mídias menores, especialmente as regionais e comunitárias. Perigo à vista, tendo em conta o fato de que muitos desses veículos tem um viés tendencioso, parcial. Agora, sem restrições, poderão publicar o que quiserem, como quiserem.

4) Qualidade deprimente da mão-de-obra e do serviço - se a pedida por qualificações caiu, o nível dos jornalistas, é óbvio, também despenca. Ouvimos/lemos/vemos absurdos veiculados diariamente e, adivinhe, não é por acaso. Além dos erros, o enfoque dado nas coberturas beira o ridículo. Sensacionalismo é um mantra e a sociedade se acostuma com o lixo. Assim, o que tem qualidade, pasmem, é desvalorizado e sai/nem entra nesse esquema.

Paro, muitas e repetidas vezes, para pensar se minha escolha, aquela de mais de oito anos atrás, foi correta. Não raras são as ocasiões em que chego ao "não". Mesmo assim, ainda me resta algum fio de esperança de ver a minha profissão valorizada, bem-feita e reconhecida.

Por isso, para aqueles que não se alienam no mundo, deixo essa mensagem para a reflexão. Podemos fazer alguma coisa? Estamos atados às correntes corrosivas do mercado ou há saídas?

Já para aqueles que acharam tudo que escrevi acima "papo furado", nada me resta a não ser a politicagem. Então, nesse caso, desejo: feliz Dia do Jornalista.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Nova geração do tênis brasileiro dá as caras

Talvez você ainda não tenha ouvido falar em João Sorgi, Thiago Monteiro, Bruno Sant'anna, Guilherme Clezar e já nem se lembre bem de quando e por que viu algo sobre Tiago Fernandes. Mas, se não houver nenhum acidente de percurso, logo conhecerá esses rapazes em detalhes.

Esses são os mais novos candidatos ao estrelato no tênis brasileiro. Todos jovens, determinados, talentosos e, o mais importante, bem-orientados.

Ainda entre os juvenis, Sorgi e Monteiro conseguiram resultados expressivos nas últimas semanas. O primeiro foi semifinalista do Banana Bowl, torneio brasileiro mais tradicional nessa faixa etária, enquanto o segundo venceu a Copa Gerdau, competição que dá mais pontos no ranking da Federação Internacional de Tênis (ITF) - mesma pontuação dos Grand Slams.

Sant'anna também frequenta, ainda, os torneios juvenis, mas já tem se arriscado em uma ou outra competição profissional. Nesta semana, foi até a segunda rodada do Challenger do Recife, onde derrotou, na primeira rodada, o compatriota e cabeça-de-chave Fernando Romboli em sets diretos.

Só perdeu para Tiago Fernandes, aquele que disse, no início, de quem você já ouviu falar, mas talvez não se lembre em que circunstância. Ele "só" foi campeão do Australian Open juvenil de 2010. Primeiro título de Grand Slam de rapazes conquistado por um brasileiro. No Recife, segue a campanha-padrão de 2011: habituar-se aos Challengers e ir o mais adiante possível neles.

Chegamos, finalmente, a Clezar. Se não teve o mesmo brilho de Fernandes na base, sempre frequentou as primeiras posições do ranking juvenil. E a qualidade denotada pelos números anteriores entrou em quadra no torneio pernambucano: venceu o cabeça 1, Marco Chiudinelli, contando com o abandono do suíço (mas já vencia por 1 set a 0), e o russo Ilya Belyaev, número 285 do mundo.

É totalmente necessário fazer um alerta: nenhum deles deverá ser "um novo Guga". E, para falar a verdade, nem é isso que se quer.

O Brasil precisa de boa quantidade e boa qualidade de tenistas. Na época de Kuerten, era ótima qualidade e mínima quantidade - apenas Meligeni realmente também tinha nível alto.

Com essa leva de promessas, mais a ainda válida aposta em Bellucci, podemos ter a esperança de montar uma "armada", digna de levar o país de volta à elite do tênis mundial.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O homem dos 4.500 pontos

Novak Djokovic derrotou Rafael Nadal nas finais dos Masters 1000 de Indian Wells e Miami. Esses títulos se juntaram aos troféus do ATP 500 de Dubai e do Australian Open, primeiro Grand Slam da temporada. Ou seja, as estatísticas frias mostram que ele é o melhor jogador de 2011.

E isso é uma verdade inquestionável.

Tanto pelos resultados perfeitos, que coroam uma invencibilidade de 24 partidas nesta temporada, quanto pelo nível de jogo mostrado pelo sérvio.

É bom que se ressalte: Nadal jogou em altíssimo nível nas finais em solo estado-unidense. Talvez tenha colocado 90% da qualidade demonstrada no US Open de 2010, quando bateu o próprio Djokovic na decisão.

Então, é evidente: o nível de Nole subiu sensivelmente desde então.

Com 4.500 pontos conquistados na temporada até aqui, ele pode SIM rivalizar com Nadal pelo número 1 do ranking. Mas, nesse caso, o buraco é bem mais embaixo.

O "Toro" está prestes a entrar na fase preferida do calendário, a dos torneios de saibro. Na prática, o período se inicia já nesta semana, com os ATP's 250 de Houtson e Casablanca, começando a ferver de verdade na próxima, com o Masters 1000 de Monte Carlo.

Lembremos que Nadal, em 2010, venceu MC, Roma, Madri e culminou a campanha brilhante sobre a terra batida com o penta de Roland Garros. E ainda deu uma esticadinha até Wimbledon, quando faturou o Slam inglês pela segunda vez.

Se Djokovic for páreo nas próximas semanas, estará pronto, então, para ser candidato real ao posto de melhor tenista do planeta.