Adoro um clichê de vez em quando, então, aqui vai um: o bicho vai pegar na terceira rodada de Roland Garros. Depois de duas fases mornas, há pelos quatro jogos que prometem emoção e qualidade, entre sexta e sábado. Antes, falemos da segunda rodada.
- Por incrível que pareça, Pablo Andujar teve a oportunidade de fechar um set contra Nadal por 6-1. Três, diga-se, e, depois, mais cinco, em outros momentos da parcial. Acabou tremendo e perdendo um tie-break. Mas é flagrante: Nadal está muito abaixo do que pode. Tecnicamente, sobretudo. Deu a sorte de ter Antonio Veic na próxima fase, ao invés de Davydenko, um dos poucos que tem retrospecto favorável (6-4) nos confrontos contra o espanhol. Com essa bolinha, não chega nem à semifinal.
- Djokovic não foi tão espetacular contra Hanescu. Mas nem precisou, é verdade. Depois de abrir 2-0, sacava em 2-3 no terceiro set quando o romeno abandonou o duelo, alegando lesão muscular numa das coxas. O sérvio, agora, vai ter que jogar e suar bem mais, já que fará o jogo mais aguardado do torneio até aqui, contra del Potro. Um prato cheio para uma sexta-feira gordinha.
- Não dá pra levar em conta o desempenho de Federer nesta rodada, afinal, passar fácil pelo jovem local Maxime Teixeira era obrigação. Mas, como disse no post anterior, sinto que o suíço pode dar muito trabalho nesta edição de Roland Garros. O confronto contra Tipsarevic parece ser um bom termômetro para ver o que poderemos esperar de "Fedexpress" para o resto do campeonato.
- Como viaja, esse Murray. No primeiro e no terceiro sets, correu riscos reais de perder a parcial para Bolelli, que, apesar de ser um bom saibrista, não deveria por medo no escocês. Fez valer a melhor qualidade e fechou em 3-0 e, para a sorte dele, tem a chave mais tranquila entre os quatro "cachorrões", como diria Paulo Cleto. Na terceira rodada, encara o alemão Berrer.
- Entre os outros cabeças-de-chave, duas eliminações chamaram minha atenção. Como já disse, a de Davydenko foi uma. O russo vive uma montanha-russa de resultados e de qualidade de jogo em 2011, mas ninguém esperava que pudesse perder para Veic, que não tem nenhum resultado de expressão. A outra surpresa foi a queda de Florian Mayer para Alejandro Falla.
- Thomaz Bellucci foi soberano diante de Andreas Seppi. Letal, matador, sem dar respiro ao italiano. Isso é um excelente sinal: ganhar com facilidade dos adversários que são tecnicamente inferiores a ele, coisa que não vinha acontecendo até Madri (ok, houve uma recaída em Roma, mas farei vistas grossas). Se jogar com a mesma intensidade e, sobretudo, mantiver o excelente nível do saque, pode ir mais longe do que se pensa em Paris.
- Meus palpites para os confrontos mais interessantes:
Djokovic 2 x 3 del Potro
Gasquet 0 x 3 Bellucci
Wawrinka 1 x 3 Tsonga
Ferrer 3 x 0 Stakhovsky
e
Nadal 3 x 0 Veic
Federer 3 x 0 Tipsarevic
Murray 3 x 1 Berrer
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