O título do post não é, em absoluto, depreciativo ao feito de Rafael Nadal. Pelo contrário, trata-se de um elogio ao maior jogador da história nas quadras de saibro.
Ele chegou oficialmente a esse status ao derrotar Roger Federer numa final de Roland Garros pela quarta vez em seis temporadas, alcançando, assim, a sexta taça em Paris. Igualou Bjorn Borg em número de títulos nesse Grand Slam, mas, na prática, já alcançou muito mais sobre a terra batida que o sueco (32 dos 46 títulos do espanhol foram no saibro, incluindo 14 Masters Series/Masters 1000).
Há um fator que valoriza ainda mais a consagração do espanhol: ser contemporâneo de Federer, o maior de todos os tempo, de acordo, inclusive, com o próprio Nadal. O triunfo de ontem foi o 17º do Touro Miúra, contra somente oito do suíço.
Prova de que Nadal foi e é um dos poucos a conhecer os pontos fracos do recordista de Slams e, mais importante, atacá-los com eficiência. Historicamente, outro que se encaixa nesse perfil é David Nalbandian, diga-se.
Ontem, Federer teve chances, e não foram poucas, de vencer. Fez primeiro set irrepreensível até sacar em 30-15 quando liderava por 5-3, já tendo desperdiçado um set point no saque de Nadal. Esse foi o turning point da decisão. Nadal engatou cinco games vencidos na sequência, fechou em 7-5 e deu o grande passo para a conquista.
O campeão de 2009 ainda levou o segundo set para o tie-break, mas não teve êxito nele. Ganhou o terceiro set por 7-5, mas, quando parecia esboçar uma reação, foi aniquilado por Nadal na quarta e derradeira parcial.
Foi a técnica que definiu a sorte deste Roland Garros? Certamente, não. Foi a mente dominante de Rafa que preponderou sobre a de Roger. Assim, nos momentos críticos, apareceram os aces, winners e a defesa monstruosa de Nadal. E o adversário, mais uma vez, naufragou.
A liderança do ranking mundial não mudou de dono, ao contrário do que se imaginava até quatro ou cinco dias atrás. Claro, Djokovic ainda está em boa posição para chegar lá, e ainda depende só de si para tal. Mas, em Wimbledon, terá que acontecer a combinação que faltou em Roland Garros: o sérvio chegando à final ou torcendo para que Rafa não repita o título de 2010.
E, convenhamos: agora, ainda mais, apostar contra Nadal não parece ser a ideia mais inteligente.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
sábado, 4 de junho de 2011
ROLAND GARROS - Para um torneio épico, uma final entre gênios
Não pude escrever as análises de Roland Garros fase a fase, como pretendia. Mas houve tempo para que eu pudesse relatar os jogos semifinais da chave masculina. Um deles, diga-se, entrou para a história e na minha lista dos cinco melhores que já vi.
Marchemos em ordem cronológica. Na primeira partida, o desleixado Andy Murray não parecia ter estabilidade o bastante para prevalecer num duelo de cinco sets contra Rafael Nadal.
E não teve mesmo.
O espanhol utilizou a característica mais marcante dele próprio no saibro: o poder supremo nas devoluções. Mais precisamente: a capacidade de intimidar o saque do adversário, utilizando a postura vencedora e golpes de muita intensidade e qualidade, fazendo com que o oponente sofra e sue sangue para confirmar o serviço.
Aliás, é bom que se frise: não há mais nenhuma grande brecha no jogo de Nadal. Forehand matador, backhand estável, subidas à rede seguidas de bons voleios. E muita, muita perna. Chegando em todas as bolas.
Em Roland Garros, contudo, o saque do "touro miúra" tem sido menos eficiente do que de costume. Tanto que Murray teve mais break points do que ele (18 a 13). Como disse anteriormente, a diferença foi a devolução de Nadal, e, consequentemente, a conversão de mais chances de quebra do que o adversário (6 a 3). No fim das contas, 6-4/7-5/6-4 foi um placar justo e mostrou que Andy ainda tem muito a melhorar nos jogos decisivos contra os cachorrões.
E, na sequência, veio o clássico. O jogão.
Djokovic assumiria a liderança do ranking mundial com a vitória e, de quebra, estenderia sua invencibilidade a 44 jogos, um feito e tanto no tênis moderno. Estava mais descansado que o adversário, tendo em vista a classificação por W.O (graças à desistência de Fábio Fognini antes do confronto válido pelas quartas). Era o destino conspirando a favor do sérvio, evidente.
Mas o senhor (monsieur fica melhor) Destino esqueceu de combinar com o rival de Nole nessa semifinal. Que não ganhou nenhum título em 2011, tendo sido derrotado pelo próprio Djokovic em três ocasiões na atual temporada. Que, de acordo com muitos, já estava começando a pensar na aposentadoria, já que a qualidade de jogo parecia estar em declínio.
Só que... uma vez Roger Federer, sempre Roger Federer.
E ele fez como nos melhores momentos da carreira. Talvez, num nível superior a qualquer outra partida que ele tenha disputado no saibro.
O suíço atacou e se defendeu com maestria rara, que só os grandes gênios do esporte são capazes de utilizar. O desempenho no segundo set, diga-se de passagem, foi espetacular, coisa de filme. Mas era real, muito real.
A valentia de Djokovic esteve lá, e ajudou o número 2 do mundo a faturar o terceiro set, mas só serviu para adiar o golpe de misericórdia desferido por Federer, no tie-break do quarto set, fechando tudo em 3 a 1 (7-6/6-3/3-6/7-6). Uma batalha em altíssimo nível.
Para mim, sendo honesto, foi difícil assistir a esse jogo. São meus dois favoritos na turnê, de longe. Estilos diferentes, mas qualidade e carisma lá em cima. Veja abaixo o ponto que definiu o jogo.
O que esperar da final
Não sei se o histórico entre Nadal e Federer em Roland Garros vai ter alguma influência na partida de amanhã em termos de motivação. Creio que não, sobretudo por ambos serem supermotivados por natureza. Nasceram para vencer, em resumo, e sempre fazem tudo o que podem para chegar lá.
O que, de fato, poderá pesar é o estilo de jogo dos dois. Todos sabemos que o hyper top spin do espanhol castiga sem dó o suíço, especialmente no revés. Se eu tivesse que apontar um placar e um favorito, racionalmente diria 3 a 1 para Nadal.
Mas minha torcida será intensa pelo Fedexpress.
Marchemos em ordem cronológica. Na primeira partida, o desleixado Andy Murray não parecia ter estabilidade o bastante para prevalecer num duelo de cinco sets contra Rafael Nadal.
E não teve mesmo.
O espanhol utilizou a característica mais marcante dele próprio no saibro: o poder supremo nas devoluções. Mais precisamente: a capacidade de intimidar o saque do adversário, utilizando a postura vencedora e golpes de muita intensidade e qualidade, fazendo com que o oponente sofra e sue sangue para confirmar o serviço.
Aliás, é bom que se frise: não há mais nenhuma grande brecha no jogo de Nadal. Forehand matador, backhand estável, subidas à rede seguidas de bons voleios. E muita, muita perna. Chegando em todas as bolas.
Em Roland Garros, contudo, o saque do "touro miúra" tem sido menos eficiente do que de costume. Tanto que Murray teve mais break points do que ele (18 a 13). Como disse anteriormente, a diferença foi a devolução de Nadal, e, consequentemente, a conversão de mais chances de quebra do que o adversário (6 a 3). No fim das contas, 6-4/7-5/6-4 foi um placar justo e mostrou que Andy ainda tem muito a melhorar nos jogos decisivos contra os cachorrões.
E, na sequência, veio o clássico. O jogão.
Djokovic assumiria a liderança do ranking mundial com a vitória e, de quebra, estenderia sua invencibilidade a 44 jogos, um feito e tanto no tênis moderno. Estava mais descansado que o adversário, tendo em vista a classificação por W.O (graças à desistência de Fábio Fognini antes do confronto válido pelas quartas). Era o destino conspirando a favor do sérvio, evidente.
Mas o senhor (monsieur fica melhor) Destino esqueceu de combinar com o rival de Nole nessa semifinal. Que não ganhou nenhum título em 2011, tendo sido derrotado pelo próprio Djokovic em três ocasiões na atual temporada. Que, de acordo com muitos, já estava começando a pensar na aposentadoria, já que a qualidade de jogo parecia estar em declínio.
Só que... uma vez Roger Federer, sempre Roger Federer.
E ele fez como nos melhores momentos da carreira. Talvez, num nível superior a qualquer outra partida que ele tenha disputado no saibro.
O suíço atacou e se defendeu com maestria rara, que só os grandes gênios do esporte são capazes de utilizar. O desempenho no segundo set, diga-se de passagem, foi espetacular, coisa de filme. Mas era real, muito real.
A valentia de Djokovic esteve lá, e ajudou o número 2 do mundo a faturar o terceiro set, mas só serviu para adiar o golpe de misericórdia desferido por Federer, no tie-break do quarto set, fechando tudo em 3 a 1 (7-6/6-3/3-6/7-6). Uma batalha em altíssimo nível.
Para mim, sendo honesto, foi difícil assistir a esse jogo. São meus dois favoritos na turnê, de longe. Estilos diferentes, mas qualidade e carisma lá em cima. Veja abaixo o ponto que definiu o jogo.
O que esperar da final
Não sei se o histórico entre Nadal e Federer em Roland Garros vai ter alguma influência na partida de amanhã em termos de motivação. Creio que não, sobretudo por ambos serem supermotivados por natureza. Nasceram para vencer, em resumo, e sempre fazem tudo o que podem para chegar lá.
O que, de fato, poderá pesar é o estilo de jogo dos dois. Todos sabemos que o hyper top spin do espanhol castiga sem dó o suíço, especialmente no revés. Se eu tivesse que apontar um placar e um favorito, racionalmente diria 3 a 1 para Nadal.
Mas minha torcida será intensa pelo Fedexpress.
Assinar:
Postagens (Atom)